Antônio, com 40 anos de idade, já passou por algumas crises importantes e quatro internações. No auge da última crise, há dois anos, chegou a quebrar tudo em casa, destruindo todos os objetos que via pela frente. Segundo ele, “precisava destruir tudo. Precisei começar pelos objetos que olhavam feio pra mim. Depois, os que sobraram entraram na onda. Acabei logo com a brincadeira… quebrei tudo” (sic). Em meio à crise, passou ainda a queimar suas pernas e braços com a ponta do cigarro, alegando que precisava acabar com os vermes que saíam de sua pele. Passou dias sem comer, alegando que estavam querendo matá-lo “aos poucos” (sic) para enviarem seus órgãos para uma exposição mundial que ocorreria no Palácio de Buckingham, em Londres, em homenagem ao centenário da Rainha. A conduta adotada no momento da avaliação foi intervenção medicamentosa e psicológica. Antônio ficou mais de dois meses internado depois dessa crise. De acordo com o caso clínico precedente e as contribuições da psicopatologia, Antônio apresenta
- A)dipsomania, piromania e automutilação.
Errada: dipsomania é impulso para beber em excesso, e piromania é desejo de provocar incêndios, o que não descreve o caso.
- B)potomania, sadismo e negativismo.
Errada: potomania é ingestão excessiva de líquidos, sadismo é prazer em causar sofrimento a outros, e negativismo é oposição imotivada, sem relação com a cena.
- C)frangofilia, automutilação e sitiofobia.
Certa: o enredo traz destruição de objetos, lesão contra o próprio corpo e recusa alimentar por delírio persecutório.
- D)poriomania, piromania e frangofilia.
Errada: poriomania é impulso de vagar/andar sem rumo, piromania envolve fogo e frangofilia é destruição de objetos, mas o caso não aponta para deslocamento compulsivo nem fogo.
- E)dipsomania, sadismo e sitiofobia.
Errada: dipsomania e sadismo não aparecem no caso, e a recusa para comer ocorre por delírio, não por prazer, capricho ou mera oposição.
Gabarito: C
Neste caso, a psicopatologia aparece em forma bem clássica de sintomas impulsivos e ideias delirantes. Antônio destrói objetos ao redor de modo repetido e com certa satisfação na descarga agressiva, o que remete à frangofilia, isto é, tendência a quebrar coisas. Além disso, ele provoca lesões em si mesmo ao queimar pernas e braços com cigarro, caracterizando automutilação. Por fim, quando passa dias sem comer por acreditar que queriam matá-lo e usar seus órgãos, há recusa alimentar secundária a um delírio persecutório, o que é chamado de sitiofobia. Por isso, a alternativa correta é a C: frangofilia, automutilação e sitiofobia. É um quadro bem “psiquiatria raiz”: comportamento desorganizado, autoagressão e delírio andando juntos.