No que tange à luta antimanicomial, assinale a opção correta.
- A)A Portaria n.º 3.588/2017, que alterou a Política Nacional de Saúde Mental, representou um avanço para a Luta Antimanicomial ao aumentar a cota de vagas em hospitais e a internação paga aos hospitais psiquiátricos.
Errada, porque a luta antimanicomial não defende ampliar hospital psiquiátrico nem remuneração/incentivo para internações, mas sim reduzir a lógica asilar.
- B)A luta antimanicomial objetiva, para todos os cidadãos, o direito à liberdade, a viver em sociedade, a receber cuidado e tratamento, sem que para isso tenham que abrir mão de seu lugar de cidadãos.
Certa, porque expressa o núcleo da luta antimanicomial: cuidado e tratamento com liberdade, cidadania e inserção social.
- C)A internação compulsória surge na segunda geração de reivindicações dessa luta e representa um avanço, porque se reconhece que as outras medidas de cuidado não possuem eficácia satisfatória.
Errada, pois a internação compulsória não é avanço da luta antimanicomial, que valoriza alternativas extra-hospitalares e internação apenas como medida excepcional.
- D)No Brasil, um dos princípios da luta antimanicomial foi a de substituir os manicômios por hospitais especializados, onde os pacientes passariam a ter acesso ao atendimento psicológico e a atividades alternativas que monitorassem sua permanência.
Errada, porque o objetivo não é substituir manicômios por hospitais especializados, e sim por uma rede comunitária e territorial de atenção psicossocial.
- E)As residências terapêuticas surgiram como uma segunda “sala de espera” que abriga temporariamente aqueles que ficaram sem ter para onde ir e aguardam vaga em outra unidade de internação.
Errada, porque residências terapêuticas não são “sala de espera” para outra internação, mas moradias destinadas à reinserção social de pessoas egressas de longas internações.
Gabarito: B
A luta antimanicomial nasce como reação ao modelo asilar clássico, que isolava a pessoa com transtorno mental em manicômios e a tratava como alguém sem direitos. A ideia central é simples e forte: cuidado sim, exclusão não. Em vez de “tirar a pessoa da sociedade”, a proposta é garantir tratamento em liberdade, com respeito à cidadania, à autonomia e à convivência comunitária. No Brasil, esse movimento se conecta à Reforma Psiquiátrica e à Lei 10.216/2001, que redireciona o modelo assistencial em saúde mental e prioriza serviços substitutivos, como CAPS, leitos em hospital geral e residências terapêuticas. A lógica é substituir a internação longa e segregadora por uma rede de cuidado territorial e humanizada. É por isso que a alternativa B está correta: ela resume exatamente o objetivo da luta antimanicomial, que é assegurar o direito de viver em সমাজ? não use. A frase correta é: assegurar o direito de viver em sociedade, receber cuidado e tratamento, sem perder o lugar de cidadão. Em outras palavras, a pessoa não deixa de ser sujeito de direitos porque adoeceu. As demais opções tentam maquiar velhas práticas como se fossem avanço, mas a luta antimanicomial faz o caminho inverso: ela critica o manicômio, reduz internações desnecessárias e defende cuidado em liberdade. Se apareceu “mais hospital psiquiátrico” como solução, desconfie na hora.