Paulo, com 30 anos de idade, é extremamente preocupado com sua saúde. Fica ansioso e excessivamente alarmado com seu estado geral. Apesar de não apresentar sintoma algum, sempre acha que está contaminado ou que pode desenvolver uma doença grave. Apesar disso, evita avaliações médicas ou consultas de rotina. Diz: “Se me matar, ao menos morro sem esperar. Desde que me dei conta das dificuldades da vida que sou assim. Continuarei porque tem dado certo. Ainda não morri” (sic). Com base no caso clínico anterior, considerando-se o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-V) bem como as contribuições da psicopatologia, o transtorno apresentado por Paulo é denominado
- A)transtorno de ansiedade de doença, tipo evitação de cuidado.
Correta, porque o caso mostra medo persistente de ter uma doença grave, sem sintomas relevantes, com evitação de consultas e exames.
- B)transtorno de adaptação.
Errada, pois transtorno de adaptação exige relação com estressor identificável e sintomas emocionais em resposta a esse evento, o que não é o foco do caso.
- C)transtorno depressivo maior.
Errada, porque não há quadro típico de humor deprimido, anedonia, culpa, alterações de sono/apetite ou outros sinais centrais de episódio depressivo maior.
- D)transtorno de sintomas somáticos.
Errada, pois no transtorno de sintomas somáticos há sintomas físicos relevantes e sofrimento ligado a eles, e aqui a ênfase está no medo de adoecer sem sintoma significativo.
- E)transtorno obsessivo-compulsivo.
Errada, porque TOC exige obsessões e compulsões características, e o caso descreve ansiedade com a saúde, não rituais ou pensamentos intrusivos típicos do transtorno.
Gabarito: A
Aqui a ideia central é perceber que Paulo não está descrevendo uma doença já confirmada no corpo, mas sim um medo persistente de estar doente, mesmo sem sintomas relevantes. No DSM-5, isso aponta para o transtorno de ansiedade de doença: a pessoa vive em alerta com a possibilidade de adoecer, interpreta sinais mínimos como ameaça e costuma ter preocupação desproporcional com a saúde. Um detalhe importante do caso é que Paulo evita avaliações médicas e consultas de rotina. Isso combina com o subtipo de evitação de cuidado, em que o indivíduo fica tão ansioso com a possibilidade de receber más notícias que prefere não checar. É quase um paradoxo: ele teme a doença, mas foge do exame que poderia tranquilizá-lo. Esse quadro se diferencia do transtorno de sintomas somáticos porque, nesse último, o foco está em sintomas físicos reais e em sofrimento ligado a eles, geralmente com queixas corporais persistentes. Aqui, o caso destaca principalmente a preocupação com a possibilidade de adoecer, sem sintomas. Também não é TOC, porque não há obsessões e compulsões típicas, nem transtorno depressivo maior, nem transtorno de adaptação, já que o núcleo do problema é a ansiedade com a saúde. Então, o gabarito é a alternativa A. Em linguagem de prova: preocupação excessiva com doença grave, ausência de sintomas relevantes e evitação de cuidados médicos = transtorno de ansiedade de doença, tipo evitação de cuidado.