No que se refere ao processo de desenvolvimento humano, suas implicações e demandas psicológicas, assinale a opção correta.
- A)Para crianças que se recusam a ir para a escola ou a ficar afastadas dos pais, apresentando choro e queixas de dores abdominais, recomenda-se a psicoterapia cognitivo-comportamental, priorizando-se a técnica de resolução de problemas e evitando-se a técnica de exposição gradual.
Errada, porque na recusa escolar e ansiedade de separação a TCC costuma usar, sim, exposição gradual e treino de enfrentamento, não evitar exposição.
- B)Quando uma pessoa, aos 65 anos de idade, apresenta comportamentos novos de irritabilidade, dificuldade cognitiva, esquecimento e apatia, deve ser considerada a possibilidade de que ela esteja desenvolvendo demência.
Certa, porque mudanças novas de irritabilidade, apatia, esquecimento e dificuldade cognitiva em idoso devem levantar a hipótese de demência.
- C)Considerando-se que a doença de Alzheimer é progressiva e que o paciente não tem condições de receber intervenção psicológica, o trabalho do psicólogo deve ser direcionado ao cuidadores para que estes evitem problemas com a própria saúde mental.
Errada, porque a doença de Alzheimer não impede intervenção psicológica no paciente, que pode se beneficiar de apoio, manejo comportamental e adaptação.
- D)Para idosos aposentados, viver sozinhos na própria casa e ter total autonomia sobre sua rotina doméstica e vida pessoal, mesmo sem contato com amigos e familiares, é mais benéfico para a saúde mental do que qualquer outra possibilidade de moradia.
Errada, porque morar sozinho sem rede de apoio não é necessariamente o melhor para a saúde mental do idoso; vínculos sociais importam muito.
- E)A psicoterapia de abordagem cognitivo-comportamental para menores de 12 anos de idade deve ser iniciada pela análise de pensamentos automáticos, evitando-se, nesse momento, que a criança discuta as próprias emoções.
Errada, porque na TCC infantil não se deve evitar emoções; elas também são trabalhadas desde cedo, de forma adequada à idade.
Gabarito: B
No desenvolvimento humano, a idade por si só não “fecha diagnóstico” nem impede cuidado psicológico. O que importa é observar sinais, contexto, prejuízo funcional e a evolução dos sintomas. Em adultos mais velhos, especialmente após os 65 anos, mudanças como irritabilidade, apatia, esquecimento e dificuldade cognitiva acendem um alerta importante para a possibilidade de demência, embora também seja preciso considerar depressão, delirium, efeitos de medicamentos e outras condições clínicas. Na prática, a demência não aparece como um simples “esquecimento da velhice”. Ela envolve declínio cognitivo progressivo, com impacto na vida diária, e isso exige avaliação cuidadosa. A literatura de psicologia do envelhecimento e da neuropsicologia reforça que o psicólogo pode atuar tanto na avaliação quanto no acompanhamento do paciente e da família, além de ajudar na adaptação às perdas e mudanças funcionais. Por isso, a alternativa B está correta: aos 65 anos, a combinação de irritabilidade nova, dificuldades cognitivas, esquecimento e apatia deve levantar a hipótese de demência. Já as demais alternativas erram ao excluir intervenções úteis, exagerar conclusões ou transformar autonomia em isolamento, como se viver sozinho e sem rede social fosse sempre o melhor cenário. Em desenvolvimento humano, independência não combina com abandono afetivo, né? Em resumo: envelhecer não é adoecer, mas certas mudanças comportamentais e cognitivas precisam ser investigadas com seriedade. E, quando há suspeita de demência, a atuação psicológica continua sendo importante, inclusive com foco na pessoa e não apenas nos cuidadores.