Entre as técnicas utilizadas para intervenções psicoterápicas, as chamadas de terceira geração incluem a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). Em relação a essa técnica e suas aplicações, assinale a opção correta.
- A)A fundamentação teórica da ACT é baseada nos princípios psicanalíticos, e a evolução terapêutica está associada ao subconsciente.
Errada, porque a ACT não tem base psicanalítica, mas sim em psicologia comportamental, contextualismo funcional e teorias da linguagem e cognição.
- B)Quando o psicólogo identifica a ocorrência de esquiva experiencial, a ACT torna-se inadequada para tratar o caso.
Errada, porque a esquiva experiencial é justamente um alvo central da ACT, não um motivo para abandoná-la.
- C)Essa técnica utiliza a flexibilidade psicológica, que evoca experiências passadas para favorecer o entendimento dos pensamentos presentes e evitar mudanças emocionalmente difíceis.
Errada, porque a flexibilidade psicológica na ACT não serve para evocar o passado nem para evitar mudanças difíceis, mas para aumentar o contato com o presente e a ação guiada por valores.
- D)A pessoa em tratamento é treinada a observar e nomear os eventos que vivencia no ambiente externo e os próprios sentimentos no momento em que essas situações acontecem.
Certa, porque a ACT incentiva observar e nomear experiências internas e externas no momento em que ocorrem, fortalecendo atenção plena e contato com o presente.
- E)Os pensamentos associados ao sofrimento são trabalhados para serem aceitos de modo resignado e integral, o que resulta em melhor qualidade de vida.
Errada, porque a ACT não propõe resignação passiva nem aceitação integral do sofrimento, e sim aceitação ativa com compromisso de mudança comportamental orientada por valores.
Gabarito: D
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) faz parte das chamadas terapias de terceira geração e trabalha com a ideia de flexibilidade psicológica: em vez de lutar o tempo todo para eliminar pensamentos e emoções desagradáveis, a pessoa aprende a se relacionar melhor com eles e a agir de acordo com seus valores. É uma abordagem bem diferente das terapias focadas só em mudar o conteúdo do pensamento, porque aqui a meta é mudar a relação com a experiência interna, não entrar em guerra com a mente. Na ACT, aparecem estratégias como aceitação, desfusão cognitiva, contato com o momento presente, observação de si, clarificação de valores e ação comprometida. Em termos simples, é quase como ensinar a pessoa a notar o que está acontecendo dentro e fora dela sem sair no automático, para escolher respostas mais úteis. Não é resignação passiva, e também não é “engolir o sofrimento”; é aprender a lidar com ele de forma funcional. A alternativa D está correta porque descreve justamente uma habilidade central da ACT: observar e nomear os eventos vivenciados no ambiente externo e os próprios sentimentos no momento em que acontecem, isto é, ampliar a consciência do presente e o contato com a experiência. Isso conversa diretamente com mindfulness e com a aceitação, que são pilares da técnica. As demais alternativas distorcem a ACT. Ela não nasce da psicanálise, não trata esquiva experiencial como algo que inviabiliza o tratamento e não busca aceitar pensamentos de modo resignado. Pelo contrário: a ACT trabalha para que você pare de ser refém dos pensamentos e consiga viver com mais liberdade psicológica, mesmo com desconforto.