Com relação ao abuso sexual infantil (ASI), assinale a opção correta.
- A)A inexistência de nexo causal comprovado entre o ASI e as situações de alteração do Desenvolvimento Infantil impede de se considerar o ASI um fator de risco para o desenvolvimento.
Errada, porque o fato de o nexo causal nem sempre ser fácil de comprovar não impede que o ASI seja reconhecido como fator de risco para prejuízos no desenvolvimento infantil.
- B)O ASI é um problema de saúde pública cuja ocorrência é prevalente na família, associada a situações incestuosas, tendo meninas como vítimas mais frequentes.
Certa, porque o ASI é um problema de saúde pública, frequentemente ocorre no âmbito familiar, muitas vezes em contexto incestuoso, e atinge meninas com maior frequência.
- C)Os fatores de proteção mais efetivos frente ao ASI são aqueles que criam espaços de fala técnica e rodas de conversa destinados simultaneamente aos ofensores e às vítimas.
Errada, porque fatores de proteção não incluem espaços conjuntos para ofensores e vítimas, já que isso pode até aumentar risco e constrangimento, e não promover segurança.
- D)O comportamento sexual inapropriado da criança, sentimentos de desamparo, carência de proximidade são alguns dos elementos que justificam a ação dos ofensores contra ela.
Errada, porque esses elementos podem estar presentes em vítimas e não justificam a ação do agressor; a violência não se explica por culpa da criança.
- E)O segredo familiar é um mecanismo de defesa decorrente da transmissão intergeracional e garante a manutenção psíquica dos padrões familiares, mesmo diante do ASI.
Errada, porque o segredo familiar pode favorecer a manutenção da violência, mas não é uma defesa que garanta manutenção psíquica diante do ASI, e sim um mecanismo que encobre o abuso.
Gabarito: B
O abuso sexual infantil (ASI) é uma forma de violência grave e, infelizmente, bastante associada ao ambiente intrafamiliar. Isso acontece porque o agressor costuma ser alguém próximo da criança, muitas vezes alguém em quem ela confia, o que facilita o silêncio, a manipulação e a manutenção da violência. Por isso, não é só um problema individual ou privado: é também um problema de saúde pública e de proteção integral. Na prática, os estudos mostram maior frequência de vitimização entre meninas, embora meninos também sejam vítimas e muitas vezes até denunciem menos por vergonha, medo ou estigma. Quando a questão fala em ocorrência prevalente na família e associação com situações incestuosas, está descrevendo um padrão muito reconhecido na literatura de Psicologia Jurídica e de proteção à infância. A lógica da proteção integral, prevista no art. 227 da Constituição e reforçada pelo ECA, exige prevenção, identificação precoce e rede de cuidado. Ou seja, não basta olhar só para a punição do agressor: é preciso pensar em acolhimento da vítima, interrupção do ciclo de violência e apoio psicossocial. O gabarito é a letra B porque ela sintetiza esse quadro típico do ASI: problema de saúde pública, frequente no contexto familiar e com maior incidência em meninas. As demais alternativas trazem generalizações equivocadas ou propostas que não correspondem às estratégias reais de enfrentamento.