No contexto da psicologia hospitalar,
- A)a presença do psicólogo hospitalar justifica-se quando há um sofrimento psíquico decorrente de um trauma ou adoecimento.
Certa, porque a atuação do psicólogo hospitalar se justifica diante do sofrimento psíquico ligado ao adoecimento, trauma e internação.
- B)o setting terapêutico configura-se nos moldes da atuação clínica convencional, relativamente à escuta do sofrimento do indivíduo.
Errada, porque o setting hospitalar não reproduz o modelo clínico convencional, já que o trabalho é adaptado ao contexto institucional e às demandas da equipe e do paciente.
- C)a escuta clínica da instituição é vedada ao psicólogo hospitalar, haja vista a impossibilidade de atuação pautada na neutralidade.
Errada, porque a escuta da instituição faz parte da psicologia hospitalar; o psicólogo também atua sobre a dinâmica institucional e em articulação com a equipe.
- D)compete ao psicólogo hospitalar a escuta do sofrimento do paciente, a fim de enfraquecer a resistência ao tratamento e as defesas psíquicas dele.
Errada, porque a escuta não serve para enfraquecer resistência ou defesas de modo confrontativo, mas para acolher, elaborar e favorecer cuidado e adesão possível.
- E)a constituição de vínculo terapêutico é secundária, devido ao não aprofundamento de questões emocionais decorrente do tempo limitado de permanência do paciente no hospital.
Errada, porque o vínculo terapêutico é importante mesmo no hospital, ainda que seja construído em tempo curto e com limites próprios da internação.
Gabarito: A
Na psicologia hospitalar, o foco não é fazer uma cópia exata do consultório tradicional, porque o hospital tem urgência, equipe multiprofissional, adoecimento, internação e muitos limites práticos. O psicólogo entra para ajudar o paciente a elaborar o impacto emocional da doença, da hospitalização e dos procedimentos, além de acolher familiares e dialogar com a equipe de saúde. Em outras palavras: no hospital, a escuta existe, mas ela precisa caber na realidade do leito, do tempo curto e da situação clínica. Por isso, a atuação do psicólogo hospitalar costuma ser indicada quando há sofrimento psíquico relacionado ao adoecimento, ao trauma, à perda de autonomia, à ameaça à vida ou às mudanças provocadas pela internação. Não é só “quando a pessoa está com depressão” ou algo do tipo; o sofrimento pode surgir justamente do fato de estar doente, internado, assustado ou sem controle sobre a própria rotina. A alternativa A está correta porque descreve bem essa lógica: o psicólogo hospitalar se justifica quando existe sofrimento psíquico decorrente de trauma ou adoecimento. Isso está alinhado com a Psicologia da Saúde e com a prática hospitalar brasileira, que prioriza cuidado integral, humanização e atenção ao impacto emocional da condição de saúde. Já as demais alternativas escorregam em pontos clássicos: querem transformar o hospital em consultório, proibir a leitura da instituição, reduzir o trabalho a “quebrar resistência” ou desprezar o vínculo. No hospital, vínculo importa sim, mas com objetividade, sensibilidade e intervenção compatível com o contexto.