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Psicologia · CESPE/CEBRASPE · 2021

Questão comentada de Psicologia

João, aos 42 anos de idade, era um funcionário público competente, dedicado e buscava se destacar entre os colegas realizando suas tarefas em tempo hábil, com a qualidade que considerava a melhor. No entanto, ele apresentava comportamento ansioso e episódios eventuais de humor depressivo, além de alguma hostilidade explícita em relação a seus colegas. Certo dia, João sofreu um infarto agudo do miocárdio durante o trabalho e ficou afastado em licença médica por algum tempo. Após receber alta, retornou ao trabalho, onde seu comportamento continuou basicamente o mesmo. Com relação ao caso clínico descrito e a aspectos a ele pertinentes, assinale a opção correta.

Gabarito: D

A questão mistura psicologia da saúde com reabilitação cardíaca. Em casos como o de João, não basta olhar só para o infarto em si: ansiedade, humor depressivo, hostilidade e estresse crônico são fatores importantes no adoecimento cardiovascular e também na recuperação. Por isso, o acompanhamento psicológico pode entrar como parte do tratamento multidisciplinar, ajudando o paciente a lidar melhor com sintomas, adesão ao tratamento e mudança de hábitos. Depois do evento cardíaco, a intervenção psicológica costuma incluir técnicas bem conhecidas: treino de respiração, relaxamento progressivo e reestruturação cognitiva. A ideia é reduzir ativação fisiológica, manejar pensamentos disfuncionais e melhorar o enfrentamento da doença. Isso faz parte do cuidado básico em reabilitação, não sendo algo “extra” ou decorativo. O gabarito é a letra D porque ela descreve exatamente esse conjunto de recursos terapêuticos, adequado ao contexto pós-infarto e à atuação integrada da equipe de saúde. Em termos doutrinários, isso conversa com a lógica da reabilitação cardíaca e da atenção integral em saúde, em que a psicologia atua na prevenção secundária e terciária, isto é, após o evento, para reduzir complicações e promover funcionalidade. As demais alternativas escorregam em exageros ou em negações erradas. Em concurso, desconfie sempre de palavras como “não teria”, “qualquer prevenção só”, ou afirmações que desligam fatores emocionais do adoecimento físico. Em psicologia da saúde, o corpo e a mente adoram aparecer juntos na prova, justamente para confundir quem tenta separá-los.

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