João, aos 42 anos de idade, era um funcionário público competente, dedicado e buscava se destacar entre os colegas realizando suas tarefas em tempo hábil, com a qualidade que considerava a melhor. No entanto, ele apresentava comportamento ansioso e episódios eventuais de humor depressivo, além de alguma hostilidade explícita em relação a seus colegas. Certo dia, João sofreu um infarto agudo do miocárdio durante o trabalho e ficou afastado em licença médica por algum tempo. Após receber alta, retornou ao trabalho, onde seu comportamento continuou basicamente o mesmo. Com relação ao caso clínico descrito e a aspectos a ele pertinentes, assinale a opção correta.
- A)Se tivesse recebido cuidados básicos de saúde ao longo do tempo, principalmente em termos de prevenção primária, e aderido completamente às orientações interdisciplinares, João não teria sofrido o infarto.
Errada, porque prevenção primária reduz risco, mas não permite afirmar que o infarto jamais aconteceria, já que há múltiplos fatores envolvidos.
- B)Um possível encaminhamento para o serviço de psicologia é indicado como proposta auxiliar na reabilitação, pois qualquer prevenção só poderia ter acontecido antes do infarto.
Errada, porque a psicologia também atua durante e após o evento, inclusive na reabilitação e na prevenção secundária.
- C)O tratamento da ansiedade, depressão e hostilidade deve ser conduzido pelo bem-estar do paciente durante a reabilitação, embora essas condições não sejam associadas ao adoecimento cardiovascular.
Errada, porque ansiedade, depressão e hostilidade podem sim se associar ao adoecimento cardiovascular e influenciam o prognóstico.
- D)Após a alta, o treinamento em técnicas de respiração, relaxamento progressivo e reestruturação cognitiva são adequados aos cuidados básicos oferecidos a João como parte do tratamento multidisciplinar.
Certa, pois treino respiratório, relaxamento progressivo e reestruturação cognitiva são estratégias adequadas na reabilitação multidisciplinar pós-infarto.
- E)Durante o período de hospitalização de João para tratar o infarto, o psicólogo, ao discutir o caso com a equipe interdisciplinar, deve evitar fornecer todas as informações sobre as condições de ansiedade e depressão do paciente.
Errada, porque o psicólogo deve compartilhar informações relevantes com a equipe, respeitando sigilo e ética, e não esconder dados importantes para o cuidado.
Gabarito: D
A questão mistura psicologia da saúde com reabilitação cardíaca. Em casos como o de João, não basta olhar só para o infarto em si: ansiedade, humor depressivo, hostilidade e estresse crônico são fatores importantes no adoecimento cardiovascular e também na recuperação. Por isso, o acompanhamento psicológico pode entrar como parte do tratamento multidisciplinar, ajudando o paciente a lidar melhor com sintomas, adesão ao tratamento e mudança de hábitos. Depois do evento cardíaco, a intervenção psicológica costuma incluir técnicas bem conhecidas: treino de respiração, relaxamento progressivo e reestruturação cognitiva. A ideia é reduzir ativação fisiológica, manejar pensamentos disfuncionais e melhorar o enfrentamento da doença. Isso faz parte do cuidado básico em reabilitação, não sendo algo “extra” ou decorativo. O gabarito é a letra D porque ela descreve exatamente esse conjunto de recursos terapêuticos, adequado ao contexto pós-infarto e à atuação integrada da equipe de saúde. Em termos doutrinários, isso conversa com a lógica da reabilitação cardíaca e da atenção integral em saúde, em que a psicologia atua na prevenção secundária e terciária, isto é, após o evento, para reduzir complicações e promover funcionalidade. As demais alternativas escorregam em exageros ou em negações erradas. Em concurso, desconfie sempre de palavras como “não teria”, “qualquer prevenção só”, ou afirmações que desligam fatores emocionais do adoecimento físico. Em psicologia da saúde, o corpo e a mente adoram aparecer juntos na prova, justamente para confundir quem tenta separá-los.