Assinale a opção correta a respeito de aspectos teóricos e técnicos da clínica infanto-juvenil.
- A)O vínculo terapêutico deve estar ausente em abordagens comportamentais com crianças e adolescentes, pois aspectos afetivos e relacionais não são o foco dessa perspectiva.
Errada, porque o vínculo terapêutico também é importante nas abordagens comportamentais com crianças e adolescentes.
- B)A tarefa de casa, por se assemelhar aos exercícios enviados pela escola, configura um recurso dos mais eficazes na prática clínica infantil.
Errada, porque tarefa de casa na terapia tem função clínica e de generalização de aprendizagem, não é simplesmente um dever escolar.
- C)O método socrático, na prática clínica, é recomendado em atendimento exclusivo de adultos, por se assemelhar a um interrogatório, o que poderia levar a uma confrontação no processo terapêutico se aplicado a crianças e adolescentes.
Errada, porque o método socrático é usado na TCC com diferentes faixas etárias, com adaptações ao desenvolvimento da criança ou adolescente.
- D)A parassonia, que pode ser atribuída a fatores biológicos, relacionais ou do ambiente físico da criança, é a maior preocupação de jovens casais que buscam atendimento clínico psicoterápico para seus filhos de 0 a 3 anos de idade.
Errada, porque parassonias podem aparecer na infância, mas não representam a maior preocupação psicoterápica geral de pais de crianças de 0 a 3 anos.
- E)A conceitualização de caso é um recurso de coleta de dados e de estruturação das demandas do paciente utilizado em abordagem cognitivo-comportamental.
Certa, porque a conceitualização de caso é um recurso central da terapia cognitivo-comportamental para coletar e organizar dados clínicos e estruturar a demanda.
Gabarito: E
Na clínica infanto-juvenil, especialmente na abordagem cognitivo-comportamental, você não trabalha só com o sintoma isolado: você organiza o caso, levanta hipóteses sobre origem, manutenção e contexto das dificuldades e define objetivos e intervenções. É aí que entra a conceitualização de caso, que funciona como um mapa do atendimento. Ela ajuda a juntar informações da criança, da família, da escola e do ambiente para entender o que está acontecendo e por que aquele comportamento persiste. Esse recurso é típico da terapia cognitivo-comportamental e costuma incluir dados como história de desenvolvimento, relações familiares, repertório de habilidades, situações gatilho, pensamentos, emoções e consequências dos comportamentos. Em crianças e adolescentes, isso é ainda mais importante porque o sofrimento costuma aparecer de forma distribuída entre casa, escola e relações sociais. Por isso, a letra E está correta: a conceitualização de caso é um instrumento de coleta e organização de informações clínicas, muito usado na abordagem cognitivo-comportamental. Ela não é um detalhe burocrático, mas o esqueleto técnico que sustenta o plano terapêutico. As demais alternativas trazem generalizações ou erros conceituais: vínculo terapêutico importa sim, tarefa de casa não é cópia de dever escolar, o método socrático não é exclusivo de adultos e parassonia não é, por si, a principal preocupação psicoterápica dos pais de crianças de 0 a 3 anos.