Quanto à atuação profissional na busca de melhorias na saúde mental, é correto afirmar que
- A)o enfrentamento das situações de trabalho decorre da ausência de modelos de gestão por competências e de estratégias profissiográficas das categorias profissionais.
Errada, porque o enfrentamento das situações de trabalho não decorre da ausência de gestão por competências, mas de fatores reais da organização e das condições de trabalho.
- B)a teoria de manejo e gerenciamento do estresse a partir da abordagem sistêmica uniu a dimensão fisiológica e relacional do estresse bem como viabilizou a ação mais efetiva na saúde mental de trabalhadores.
Errada, porque a formulação está imprecisa e não corresponde a uma teoria consagrada como base única de manejo do estresse na saúde mental do trabalhador.
- C)o sintoma prevalecente de adoecimento no trabalho e que mais gera afastamentos é o conjunto de respostas e reações do indivíduo que geram alterações psicofísicas nos estressores dos campos fisiológicos, cognitivos, sociais e comportamentais.
Errada, porque mistura conceitos de sintoma, estresse e adoecimento de forma confusa, sem descrever corretamente o principal quadro de afastamento.
- D)entre as práticas mais efetivas de prevenção de danos à saúde mental dos trabalhadores, estão os programas de qualidade de vida e, de modo especial, as ações cotidianas de desligamento da rotina exaustivas, tal como a ginástica laboral, aulas de ioga e massagens executivas.
Errada, porque essas ações podem ajudar no bem-estar, mas não são as mais efetivas isoladamente para prevenir danos à saúde mental; elas não substituem intervenções sobre a organização do trabalho.
- E)a avaliação dos riscos psicossociais no trabalho é uma das estratégias de reconhecimento de riscos e potenciais danos e pode ser feita por meio de entrevistas e questionários, sendo as dimensões mais comuns: a organização prescrita do trabalho; estilos de gestão; sofrimento patogênico no trabalho; e danos relacionados ao trabalho.
Certa, porque a avaliação de riscos psicossociais pode ser feita por entrevistas e questionários e considera dimensões como organização do trabalho, estilos de gestão, sofrimento patogênico e danos relacionados ao trabalho.
Gabarito: E
Quando se fala em melhorar a saúde mental no trabalho, a ideia central não é só tratar o adoecimento depois que ele aparece, mas identificar riscos psicossociais antes que o ambiente vire uma máquina de desgaste. Isso envolve olhar para a organização do trabalho, a forma de gestão, as exigências, as relações e os efeitos disso sobre o trabalhador. Em outras palavras: não basta contar quantas pessoas faltaram, é preciso entender o que no trabalho está adoecendo essas pessoas. A alternativa correta é a letra E porque descreve exatamente uma estratégia usada na avaliação de riscos psicossociais. Essa avaliação pode ser feita por entrevistas e questionários e costuma observar dimensões como a organização prescrita do trabalho, os estilos de gestão, o sofrimento patogênico e os danos relacionados ao trabalho. Essa lógica é muito usada na Psicologia do Trabalho e das Organizações para reconhecer fatores de risco e orientar prevenção. Na prática, isso faz sentido porque saúde mental no trabalho depende muito do desenho da atividade, da liderança e das condições reais de execução. Quando a gestão é rígida, ambígua ou excessivamente cobradora, o sofrimento deixa de ser pontual e pode virar adoecimento. Por isso, a atuação profissional mais efetiva é preventiva, sistêmica e voltada ao ambiente, não apenas ao indivíduo. Um detalhe importante: medidas como ginástica laboral, ioga e massagens podem até ajudar no bem-estar, mas sozinhas não resolvem o problema estrutural. A banca gosta justamente de trocar uma intervenção de superfície por uma análise mais completa dos riscos psicossociais.