O assédio moral no trabalho configura uma situação de violência que se estende no tempo e que pode levar a vítima a desenvolver, com maior frequência, o transtorno
- A)bipolar.
Errada, porque transtorno bipolar envolve oscilação de humor com episódios de mania/hipomania e depressão, não sendo a consequência típica do assédio moral.
- B)neurocognitivo maior.
Errada, porque transtorno neurocognitivo maior se relaciona a declínio cognitivo importante, como demência, e não é o quadro mais associado ao assédio moral.
- C)de estresse pós-traumático.
Certa, porque a exposição prolongada a violência psicológica no trabalho pode desencadear sintomas compatíveis com transtorno de estresse pós-traumático.
- D)de personalidade antissocial.
Errada, porque transtorno de personalidade antissocial é um padrão persistente de desrespeito e violação de direitos, não uma consequência comum do assédio sofrido.
- E)de personalidade dependente.
Errada, porque transtorno de personalidade dependente é marcado por necessidade excessiva de cuidado e submissão, sem relação direta como consequência típica do assédio moral.
Gabarito: C
Assédio moral no trabalho não é um conflito pontual nem uma bronca isolada: ele costuma ser repetido, prolongado e desgastante, com humilhações, desqualificações ou isolamento da vítima. Por isso, a literatura em Psicologia Organizacional e do Trabalho trata esse fenômeno como uma forma de violência psicológica que se estende no tempo e vai corroendo a saúde mental da pessoa. No Brasil, esse tema também aparece em debates doutrinários e em decisões trabalhistas que reconhecem o dano à dignidade e à saúde do trabalhador. Quando a exposição é contínua, a vítima pode desenvolver sintomas como medo persistente, hipervigilância, revivescência do sofrimento e evitação de situações associadas ao ambiente agressor. Esse conjunto de sinais é muito compatível com transtorno de estresse pós-traumático, que surge após experiências de violência ou ameaça intensa e pode aparecer em contextos laborais de assédio prolongado. Em outras palavras: não é só "estresse do dia a dia", é trauma mesmo. A banca CESPE/CEBRASPE gosta de ligar o assédio moral aos efeitos psíquicos mais reconhecidos na literatura, especialmente quadros de sofrimento traumático e adoecimento mental relacionado ao trabalho. Então, ao falar em violência que se prolonga no tempo e em adoecimento mais frequente, o caminho mais seguro é pensar em um transtorno decorrente de trauma, e não em distúrbios de personalidade ou em transtornos do espectro bipolar. Resumo de prova: assédio moral recorrente + humilhação continuada + adoecimento psíquico = forte associação com estresse pós-traumático. É o tipo de questão em que a banca testa se você sabe diferenciar desgaste emocional comum de um quadro clínico relacionado a exposição prolongada à violência psicológica.