Os diagnósticos psicopedagógicos clínicos devem se basear em critérios provenientes de sistemas classificatórios, como por exemplo o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e o CID 10. São critérios diagnósticos de transtorno específico da aprendizagem (TEA), de acordo com DSM-5, EXCETO:
- A)Dificuldades no aprendizado e no uso das habilidades escolares, indicadas pela presença de sintomas específicos que tenham persistido por pelo menos duas semanas, mesmo não tendo sido realizadas intervenções específicas.
Errada: o DSM-5 não usa “pelo menos duas semanas” como critério e exige persistência por cerca de 6 meses, apesar de intervenções apropriadas.
- B)As habilidades acadêmicas afetadas estão muito abaixo do esperado para a idade cronológica do indivíduo.
Certa: o desempenho acadêmico precisa estar significativamente abaixo do esperado para a idade e para o nível de escolarização.
- C)As habilidades acadêmicas afetadas causam considerável interferência no desempenho escolar, confirmado por medidas de desempenho padronizado e avaliação clínica.
Certa: o transtorno deve causar prejuízo funcional e ser apoiado por avaliação clínica e medidas padronizadas de desempenho.
- D)As dificuldades na aprendizagem começam na idade escolar, mas podem vir a se manifestar de forma considerável apenas quando as exigências daquelas habilidades escolares ultrapassam as capacidades limitadas do indivíduo.
Certa: as dificuldades costumam começar na idade escolar, embora possam ficar mais evidentes quando as exigências aumentam.
- E)As dificuldades de aprendizagem podem não ser explicadas por deficiências intelectuais, déficits visuais ou auditivos não corrigidos ou outros transtornos mentais ou neurológicos.
Certa: o diagnóstico exige que as dificuldades não sejam melhor explicadas por deficiência intelectual, déficits sensoriais não corrigidos ou outros transtornos.
Gabarito: A
O transtorno específico da aprendizagem, no DSM-5, é identificado quando a pessoa apresenta dificuldades persistentes em ler, escrever ou fazer matemática, com desempenho bem abaixo do esperado para a idade e com impacto real na vida escolar. Não basta “ir mal na prova” por um período curto: o quadro precisa ser duradouro, aparecer nos anos escolares e não ser melhor explicado por deficiência intelectual, problemas sensoriais não corrigidos ou outros transtornos. Além disso, o DSM-5 exige confirmação por avaliação clínica e por dados de desempenho, porque diagnóstico não se faz no chute nem no “achismo do boletim”. A alternativa A está errada porque fala em sintomas por pelo menos duas semanas e em ausência de intervenções específicas, o que não é critério do DSM-5. O manual exige persistência por, em geral, pelo menos 6 meses, apesar de intervenções direcionadas, e não um prazo tão curto. É justamente essa troca de prazo que derruba a questão. As demais alternativas reproduzem a lógica central do DSM-5: desempenho abaixo do esperado, prejuízo funcional, início na fase escolar e exclusão de outras causas. Em concurso, esse tema costuma aparecer com uma palavra ou prazo fora do lugar, então vale ler com calma os detalhes do critério.