A dietoterapia é uma estratégia fundamental no tratamento e controle de diversas condições clínicas, exigindo intervenções nutricionais específicas para cada doença. Sobre as recomendações dietéticas para doenças crônicas não transmissíveis, assinale a alternativa correta.
- A)No manejo nutricional do diabetes mellitus (DM), a restrição drástica da ingestão de carboidratos é a abordagem mais eficaz para o controle glicêmico, sendo indiferente a qualidade e o índice glicêmico dos alimentos ingeridos.
Errada, porque no diabetes o controle glicêmico não depende de restrição drástica de carboidratos, e sim da qualidade, quantidade e distribuição dos carboidratos ao longo do dia.
- B)Na dislipidemia (DLP), a substituição de ácidos graxos insaturados por ácidos graxos saturados é recomendada para otimizar as concentrações plasmáticas de colesterol e reduzir o risco cardiovascular.
Errada, porque na dislipidemia a orientação é reduzir ácidos graxos saturados e trans, substituindo-os por gorduras insaturadas, que favorecem melhor perfil lipídico.
- C)Na hipertensão arterial sistêmica (HAS), a restrição de sódio, a ingestão adequada de potássio e a adoção da dieta DASH demonstram impacto positivo na regulação da pressão arterial, auxiliando na redução da sobrecarga cardiovascular.
Certa, porque na hipertensão a redução de sódio, a ingestão adequada de potássio e a dieta DASH ajudam a reduzir a pressão arterial e o risco cardiovascular.
- D)No tratamento dietético da obesidade, estratégias de restrição calórica severa, independentemente da composição nutricional da dieta, são preferíveis para induzir rápida perda ponderal e manutenção do peso corporal em longo prazo.
Errada, porque no tratamento da obesidade a perda de peso precisa ser sustentavel, com estratégia alimentar equilibrada, e não baseada em restrição calórica severa sem considerar composição da dieta.
- E)Na terapia nutricional para pacientes oncológicos, dietas hipocalóricas são fundamentais para minimizar os efeitos adversos do tratamento e prevenir a progressão neoplásica.
Errada, porque em oncologia o objetivo nutricional costuma ser prevenir ou tratar a desnutrição e manter ingestão adequada, não impor dieta hipocalórica de rotina.
Gabarito: C
Na dietoterapia das doenças crônicas não transmissíveis, a regra é simples: não existe “dieta mágica” universal, e o foco costuma ser ajustar o padrão alimentar para melhorar o controle metabólico e reduzir risco cardiovascular. Em geral, importa muito mais a qualidade dos alimentos, o equilíbrio energético e a adesão a longo prazo do que medidas extremas e pouco sustentáveis. No diabetes mellitus, por exemplo, não se recomenda sair cortando carboidrato de forma drástica como se isso resolvesse tudo. O manejo envolve distribuição adequada de carboidratos, escolha de alimentos com maior teor de fibras, menor carga glicêmica e atenção ao índice glicêmico, além do controle do peso e da atividade física. Na hipertensão arterial sistêmica, a orientação clássica inclui redução do sódio, consumo adequado de potássio quando não houver contraindicação e padrão alimentar como a dieta DASH, que favorece frutas, verduras, laticínios magros e menor teor de gordura saturada. Isso ajuda a baixar a pressão e a aliviar a sobrecarga cardiovascular, que é justamente o ponto central da questão. Por isso, a letra C está correta: ela resume recomendações bem estabelecidas para HAS. Já as demais alternativas trazem ideias invertidas ou exageradas, como trocar gordura boa por ruim, fazer dieta severamente restritiva sem critério ou usar hipocaloria como regra em paciente oncológico, o que pode piorar desnutrição e intolerância ao tratamento.