Paciente de 50 anos de idade, portadora de doença renal crônica (DRC G3-5D), chega ao consultório apresentando hiperfosfatemia persistente e progressiva. São medidas realizadas para o ajuste e a manutenção dos níveis séricos de fósforo dentro da normalidade, exceto:
- A)Restrição de fósforo após a avaliação de níveis séricos de cálcio e paratormônio (PTH).
Correta, porque a restrição de fósforo deve ser individualizada e considerada junto com cálcio e PTH no contexto da DRC.
- B)Escolha de alimentos que contenham mais fósforo inorgânico.
Errada, porque o fósforo inorgânico é mais absorvido e piora a hiperfosfatemia, então não deve ser priorizado.
- C)Consideração não somente da quantidade de fósforo, mas de suas fontes dietéticas e da presença de aditivos em alimentos processados.
Correta, pois a fonte do fósforo e a presença de aditivos em processados influenciam muito a absorção.
- D)Modificação do método de cozimento dos alimentos com o objetivo de reduzir o teor de fósforo neles contido.
Correta, já que algumas técnicas de preparo podem reduzir o teor de fósforo dos alimentos.
Gabarito: B
Na DRC, especialmente nos estágios mais avançados e na diálise, o fósforo tende a subir porque os rins perdem a capacidade de excretá-lo. Isso favorece hiperfosfatemia, aumento do PTH e piora do equilíbrio mineral. Na prática, a dieta vira uma das primeiras aliadas do tratamento, junto com os quelantes de fósforo quando indicados. O manejo nutricional não é só "cortar fósforo" de forma cega. Você precisa olhar o conjunto: cálcio, PTH, ingestão de proteínas, tipo de alimento e presença de aditivos fosfatados. Isso importa porque o fósforo de alimentos ultraprocessados e aditivos costuma ser muito mais absorvido do que o fósforo naturalmente presente nos alimentos. E aqui está a chave da questão: a alternativa B está errada porque recomenda escolher alimentos com mais fósforo inorgânico. Esse tipo de fósforo é justamente o mais biodisponível, ou seja, o organismo absorve com facilidade maior, o que piora a hiperfosfatemia. Em dieta renal, esse é o tipo de fósforo que você quer evitar, não priorizar. As demais medidas fazem sentido: ajustar a restrição após avaliar cálcio e PTH, considerar as fontes dietéticas e os aditivos, e até modificar o modo de preparo para reduzir parte do teor de fósforo dos alimentos. Em concursos, quando aparecer fósforo em DRC, lembre da regra prática: menos aditivo, menos ultraprocessado e mais atenção à biodisponibilidade do que ao número isolado no rótulo.