O termo disfagia caracteriza dificuldade de progressão do alimento, ou mesmo da saliva, no seu trajeto natural entre a boca e o estômago. Pode ser decorrente de alguma forma de obstrução ao trânsito alimentar, ou de distúrbios funcionais de órgãos e sistemas envolvidos na deglutição. A disfagia pode resultar de distúrbio na passagem do alimento da orofaringe para o esôfago (disfagia orofaríngea) ou na passagem pelo esôfago até o estômago (disfagia esofágica). A disfagia é uma condição clínica comum em pacientes assistidos pelo Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) e a terapia nutricional adequada é essencial para o sucesso do tratamento. Nesse sentido, analise as afirmativas a seguir. I. Alimentos que esfarelam, como biscoitos, bolos, pães e torradas, devem ser evitados devido ao risco de aspiração. II. A desnutrição proteico-calórica pode afetar indiretamente a habilidade de deglutição devido à disfunção nervosa e ao comprometimento muscular, causando aumento de risco de pneumonia aspirativa. III. A dieta oral do paciente disfágico, com risco de aspiração, deve ser iniciada com líquidos em pequenos volumes e, em seguida, oferecer alimentos em consistência mais macia para observar como ele está deglutindo. IV. A terapia nutricional parenteral é indicada para pacientes com risco de aspiração, cabendo apenas ao nutricionista e ao médico avaliarem a possibilidade de transição para a dieta oral. Estão corretas as afirmativas:
- A)I, II, III e IV.
A alternativa reúne as quatro afirmativas como se todas estivessem corretas, mas isso não se sustenta. As afirmativas I e II estão de acordo com a prática dietoterápica na disfagia, porém a III erra ao propor líquidos como início em paciente com risco de aspiração, porque líquidos finos costumam ser os mais difíceis de controlar na deglutição; a IV também erra ao indicar terapia parenteral apenas pelo risco de aspiração, já que, se o trato gastrointestinal funciona, a via preferencial é a enteral/oral com adaptação de consistência e avaliação multiprofissional.
- B)I e III, apenas.
Aqui se afirma que apenas as assertivas I e III estariam corretas. A I realmente faz sentido, porque alimentos secos e esfarelentos, como bolos, biscoitos e torradas, geram resíduos e aumentam o risco de penetração/aspiração em quem tem disfagia. O problema é que a III está conceitualmente invertida: em pacientes com risco de aspiração, não se começa oferecendo líquidos finos, pois eles tendem a ser menos seguros do que consistências mais espessas e controladas.
- C)II e III, apenas.
Esta opção sustenta que as afirmativas II e III seriam as corretas. A II está adequada ao relacionar desnutrição proteico-calórica com perda de massa e função muscular, além de possível comprometimento neurológico, fatores que pioram a deglutição e aumentam o risco de pneumonia aspirativa. Porém a III está errada pelo mesmo motivo já descrito: líquidos em pequenos volumes não são, por si, a forma segura de iniciar a dieta oral em quem tem risco de aspiração, porque a escolha da consistência deve partir da avaliação da deglutição.
- D)I e II, apenas.
A alternativa aponta I e II como corretas, e é exatamente isso que ocorre. A I está correta porque alimentos que esfarelam, como pães, bolos, biscoitos e torradas, se fragmentam facilmente e favorecem aspiração ou engasgo em pacientes disfágicos. A II também procede, pois a desnutrição proteico-calórica compromete musculatura e função neurológica, piorando a eficiência da deglutição e elevando o risco de pneumonia aspirativa.
- E)I, III e IV, apenas.
Esta alternativa afirma que I, III e IV estariam corretas. A I realmente é compatível com a conduta dietoterápica na disfagia, mas a III está errada porque líquidos finos, mesmo em pequenas quantidades, não são a primeira escolha quando há risco de aspiração; em geral, a consistência é ajustada para a mais segura após avaliação. A IV também falha, pois a terapia parenteral não é indicada só pelo risco de aspiração e a transição para a via oral envolve equipe multiprofissional, não apenas nutricionista e médico.
Gabarito: D
A disfagia exige muita atenção à textura dos alimentos e ao modo de oferta, porque o problema nao é só "engolir devagar", e sim reduzir o risco de o alimento entrar na via errada. Em geral, alimentos secos e que esfarelam, como biscoitos, torradas e bolo seco, são mais perigosos porque viram migalhas soltas e aumentam a chance de aspiração. A afirmativa II está correta porque a desnutrição proteico-calórica pode enfraquecer a musculatura, inclusive a envolvida na deglutição, além de prejudicar o sistema nervoso. Resultado prático: a pessoa mastiga e engole pior, o que aumenta o risco de engasgo e de pneumonia aspirativa. A afirmativa III está errada porque, no paciente com risco de aspiração, não se começa com líquidos finos em pequenos volumes para "testar" de qualquer jeito. Líquidos muito fluidos costumam ser os mais difíceis de controlar na disfagia, e a progressão da dieta deve ser feita com consistências mais seguras e conforme avaliação fonoaudiológica e nutricional. A afirmativa IV também está errada: terapia parenteral nao é a escolha automática para quem tem risco de aspiração. Quando o trato gastrointestinal funciona, prefere-se a via oral adaptada ou a via enteral; a parenteral fica para situações em que o uso do intestino nao é possível ou nao é suficiente. Por isso, o gabarito é D, com I e II corretas.