Em um ambulatório que atende pessoas com doença renal, foi feita uma orientação de dieta com restrição da ingestão proteica (0,6 g/kg/dia), com 35 kcal/kg/dia. A pessoa que recebeu a conduta apresentava um Índice de Massa Corpórea de 21kgm2 . No primeiro retorno, 1 mês depois, foi observada uma perda de 2 kg de peso corporal. Frente a essa situação, a conduta deve ser a seguinte:
- A)Aumentar a oferta de proteínas para 0,9 g/kg/dia.
Errada, porque aumentar proteína pode contrariar a restrição indicada na doença renal e não resolve a causa provável da perda de peso.
- B)Avaliar o consumo alimentar e incentivar a ingestão de alimentos/preparações com maior densidade energética e menor teor proteico.
Certa, porque a perda ponderal sugere necessidade de reavaliar a ingestão e oferecer mais densidade energética com menor teor proteico.
- C)Modificar o plano alimentar ofertando 50kcal/kg/dia.
Errada, porque 50 kcal/kg/dia é uma oferta exagerada e não é a conduta padrão para esse cenário.
- D)Aumentar a ingestão de lipídio, para 40 % da ingestão calórica/dia.
Errada, porque aumentar lipídio de forma isolada não substitui a avaliação da ingestão total e não é a resposta mais adequada.
- E)Insistir na mesma conduta, sem preocupação com essa perda de peso.
Errada, porque perda de peso em paciente em dieta hipoproteica exige reavaliação imediata, não manutenção cega da mesma conduta.
Gabarito: B
Na doença renal crônica, a dieta com proteína reduzida só funciona bem se a energia estiver garantida. O raciocínio é simples: se faltam calorias, o corpo começa a usar a própria proteína como combustível, e aí a restrição proteica perde o sentido, porque a pessoa entra em risco de perda de massa magra e desnutrição. Por isso, o acompanhamento do peso e do estado nutricional é parte central da conduta, especialmente em ambulatório. Neste caso, a pessoa já tinha IMC de 21 kg/m2, ou seja, não estava em excesso de peso, e em um mês perdeu 2 kg. Isso acende um alerta importante: pode estar faltando energia na dieta, ou a adesão pode estar inadequada. Antes de sair aumentando proteína ou mudando radicalmente a distribuição dos macronutrientes, o passo correto é avaliar o consumo alimentar e entender o que está acontecendo na prática. A melhor conduta é incentivar alimentos e preparações com maior densidade energética e menor teor proteico, para recuperar ou preservar peso sem desrespeitar a restrição de proteína. Em outras palavras: mais energia por porção, sem “pesar a mão” na proteína. Esse é o tipo de ajuste clássico em dietoterapia renal quando há perda ponderal durante dieta hipoproteica. Assim, o gabarito B está correto porque a prioridade é corrigir a perda de peso com estratégia energética, mantendo o controle proteico. A meta não é simplesmente aumentar proteína ou empurrar calorias de forma genérica, mas ajustar a dieta com inteligência nutricional para evitar catabolismo.