No envelhecimento ocorrem mudanças progressivas no organismo alterando funções fisiológicas que apresentam implicações relevantes na ingestão alimentar. Considerando a sentença acima, é CORRETO afirmar que:
- A)Não existe justificativa para alterar a consistência da alimentação do idoso em decorrência da idade até que se complete 75 anos, pois a musculatura faríngea e o relaxamento do músculo cricofaríngeo são preservados garantindo a deglutição normal.
Errada, porque não há idade fixa em que a dieta deva permanecer sem ajustes, e alterações da deglutição podem surgir antes dos 75 anos.
- B)A fase inicial da digestão de alimentos da pessoa idosa é prejudicada em decorrência da ausência parcial ou total de dentes e/ou uso inadequado de próteses e a ocorrência de xerostomia que ocasionam prejuízos no processo de mastigação.
Certa, pois a perda dentária, próteses inadequadas e xerostomia prejudicam a mastigação, que é a etapa inicial da digestão.
- C)A redução na sensibilidade gustativa, relacionada ao menor número de gemas gustativas das papilas linguais, não causa prejuízo relevante na ingestão alimentar.
Errada, porque a redução do paladar pode sim reduzir o apetite e comprometer a ingestão alimentar, sobretudo em idosos frágeis.
- D)As mudanças fisiológicas que interferem diretamente na ingestão alimentar são a diminuição do metabolismo basal e a redistribuição da massa corporal.
Errada, porque diminuição do metabolismo basal e redistribuição de massa corporal são mudanças corporais importantes, mas não explicam diretamente a ingestão alimentar.
- E)A aparência lisa que ocorre na mucosa e a diminuição da espessura do epitélio na cavidade oral do idoso interferem diretamente no consumo de alimentos quentes, pelo aumento da sensibilidade que ocasiona sensação de ardor, mas não afeta a ingestão de alimentos frios.
Errada, porque as alterações da mucosa oral podem gerar desconforto tanto com alimentos quentes quanto com outros estímulos, não apenas com frio.
Gabarito: B
No envelhecimento, o sistema digestório e a cavidade oral sofrem mudanças que podem atrapalhar a alimentação do idoso. Entre as alterações mais comuns estão a perda dentária, próteses mal adaptadas e a xerostomia, que é a diminuição da saliva. Isso prejudica principalmente a mastigação, que é a primeira etapa da digestão e fica bem menos eficiente quando o alimento não é bem triturado. Quando a mastigação falha, a deglutição e até a aceitação da dieta também podem piorar. Por isso, em muitos casos, pode ser necessário ajustar consistência, textura e até temperatura dos alimentos, sempre olhando a condição clínica individual do idoso. Não existe regra fixa do tipo “só depois de certa idade”, porque o impacto funcional varia muito de pessoa para pessoa. O gabarito está na letra B porque ela descreve exatamente esse problema inicial da digestão: dentes ausentes, próteses inadequadas e boca seca comprometem o processo de mastigação. E isso é relevante nutricionalmente, já que comer bem não é só escolher o alimento certo, mas conseguir mastigar, engolir e tolerar esse alimento com conforto. Em termos práticos, a banca quer que você associe envelhecimento a alterações orais e funcionais, e não a uma ideia simplista de que o idoso sempre precisa da mesma dieta ou que os sintomas aparecem só em idade avançada. O foco é a perda de eficiência, não um marco etário mágico.