Paciente de 65 anos com pancreatite aguda apresenta na avaliação de 48hs os seguintes resultados: glicemia = 270 mg/dl; cálcio sérico corrigido= 6,4mg/dl; PO2 arterial = 50mm Hg. Qual a indicação da terapia nutricional:
- A)jejum
Errada: jejum prolongado não é a melhor estratégia quando o intestino pode ser usado, mesmo na pancreatite aguda grave.
- B)jejum com hidratação com SG
Errada: hidratação com soro glicosado não substitui terapia nutricional e não atende às necessidades metabólicas do paciente.
- C)nutrição parenteral
Errada: nutrição parenteral fica para quando a via enteral é impossível, contraindicada ou insuficiente.
- D)dieta enteral
Certa: a via enteral é a preferida na pancreatite aguda quando o trato gastrointestinal está funcional.
Gabarito: D
Na pancreatite aguda, a conduta nutricional depende muito da gravidade e da tolerância do trato gastrointestinal. Quando o paciente consegue usar o intestino, a via enteral costuma ser a preferida, porque ajuda a manter a barreira intestinal, reduz complicações infecciosas e é mais fisiológica do que “alimentar na veia”. Nesta questão, os achados em 48 horas chamam atenção para pancreatite aguda grave: hipoxemia, hipocalcemia e hiperglicemia são sinais de pior evolução. Mesmo assim, gravidade não significa, automaticamente, jejum prolongado ou nutrição parenteral como primeira escolha. Se o intestino funciona, a dieta enteral é o caminho mais indicado. A lógica aqui é bem clássica em dietoterapia: jejum só ficou famoso por muito tempo, mas hoje não é a melhor estratégia quando a via enteral é possível. A nutrição parenteral fica reservada para situações em que a enteral é inviável, contraindicada ou insuficiente para atingir as necessidades. Então, o gabarito D está correto porque, diante de pancreatite aguda e sem contraindicação ao uso do trato gastrointestinal, a terapia nutricional preferencial é a enteral. Essa é a conduta alinhada às recomendações consagradas em diretrizes de nutrição clínica para pancreatite aguda.