No que diz respeito à triagem e à avaliação nutricional em pacientes oncológicos, assinale a alternativa correta:
- A)A avaliação nutricional do paciente com câncer é fundamental para a realização da intervenção correta e tardia, evitando a evolução do quadro de desnutrição.
Errada: a avaliação nutricional deve orientar intervenção precoce, e não tardia, justamente para evitar a piora da desnutrição.
- B)A triagem e avaliação nutricional são essenciais ao paciente oncológico, já que essa população é exposta a menor risco de desnutrição pela presença da doença em si e pelos tratamentos propostos.
Errada: pacientes oncológicos têm maior, e não menor, risco de desnutrição devido à doença e aos tratamentos.
- C)A medida da circunferência da panturrilha é uma técnica antropométrica complexa e amplamente utilizada como marcador de perda de massa muscular, porém não é recomendada para pacientes oncológicos.
Errada: a circunferência da panturrilha é uma medida simples e útil como marcador de massa muscular, podendo ser empregada na avaliação de pacientes oncológicos.
- D)Conforme as orientações estabelecidas pela ESPEN (Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo), é recomendado que a triagem nutricional seja realizada no momento do diagnóstico do paciente, durante a consulta ambulatorial, na admissão hospitalar ou no primeiro contato com o paciente após 48 horas de internação.
Errada: a triagem deve ser feita precocemente, mas a redação mistura situações e não corresponde corretamente ao momento recomendado para todos os cenários clínicos.
- E)A avaliação do estado nutricional de pacientes com câncer deve ser conduzida em todos aqueles que apresentam risco nutricional identificado. A utilização de múltiplos métodos de avaliação proporcionará uma compreensão mais abrangente da condição nutricional.
Certa: pacientes com risco nutricional identificado devem passar por avaliação nutricional completa, usando mais de um método para obter uma visão mais fiel do estado nutricional.
Gabarito: E
Na oncologia, triagem e avaliação nutricional não são frescura: fazem parte do cuidado básico, porque o paciente com câncer tem risco aumentado de desnutrição por causa da própria doença, dos sintomas e dos tratamentos como quimio e radioterapia. O objetivo é identificar cedo quem está em risco e, se necessário, intervir rapidamente para evitar perda de peso, massa muscular e piora funcional. A triagem é a porta de entrada: ela serve para detectar risco nutricional logo no diagnóstico, na admissão hospitalar ou no primeiro contato, e deve acontecer de forma rotineira. Se o paciente for identificado em risco, aí entra a avaliação nutricional completa, usando vários métodos ao mesmo tempo. Isso costuma incluir história clínica e alimentar, exame físico, antropometria e, quando possível, parâmetros funcionais e laboratoriais. Por isso o gabarito é a letra E: ela traduz bem a lógica da prática clínica. Não basta olhar um dado isolado e achar que está tudo resolvido, porque no câncer o estado nutricional pode mudar rápido e de forma silenciosa. Avaliar por múltiplos métodos ajuda a enxergar melhor a perda de massa magra, a presença de inflamação e o impacto real da doença no organismo. Em termos de referência técnica, essa abordagem está alinhada às recomendações de sociedades como a ESPEN, que defendem triagem precoce e avaliação nutricional completa em pacientes com risco identificado. Em oncologia, esperar o quadro piorar é quase sempre uma má ideia.