Educação Alimentar e Nutricional (EAN) é um campo de conhecimento. Isso significa que há um acúmulo de compreensões sobre seu conceito, como é realizada, os resultados de suas ações em diferentes âmbitos, até os fatores que compõem as práticas alimentares e mudanças no âmbito familiar ou individual. Neste contexto, sobre a aplicação de meios e técnicas do processo educativo e o desenvolvimento e avaliação de atividades educativas em nutrição, é correto afirmar que
- A)para um bom planejamento em EAN, é importante conhecer como os sujeitos deste território estão estabelecidos. Assim, as ações intersetoriais podem ser estimuladas nos ambientes institucionais nos setores públicos da saúde e assistência social, não sendo permitidas parcerias com associações comunitárias e religiosas, uma vez que o Estado é laico.
Errada, porque a EAN pode sim envolver parcerias com associações comunitárias e religiosas, desde que respeitados os princípios do SUS e do Estado laico.
- B)como facilitador da aproximação entre sociedade e governo, são citados os Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) e as Câmaras Interministeriais/Intersecretarias de SAN (CAISAN), das diversas esferas de governo, criados para organizar e monitorar as políticas públicas no contexto da segurança alimentar e nutricional.
Certa, porque CONSEA e CAISAN são instâncias ligadas à governança da SAN e articulam sociedade e governo na formulação, coordenação e monitoramento de políticas públicas.
- C)embora o gestor tenha pleno conhecimento quanto ao funcionamento da administração pública, não é recomendado que o mesmo contribua com a busca de soluções contextualizadas à realidade local, no desenvolvimento das práticas e ações de EAN, uma vez que tal tarefa é restrita aos profissionais e graduandos em Nutrição, sob supervisão.
Errada, pois a EAN não é tarefa exclusiva de nutricionistas e graduandos; ela pode e deve ser construída de forma interprofissional e contextualizada.
- D)para o desenvolvimento das práticas educativas deve-se construir ações contextualizadas e articuladas com as necessidades das pessoas e do território, com o consentimento e envolvimento da comunidade, utilizando temas restritamente científicos e acadêmicos, que devem ser trabalhados com linguagem formal e técnica.
Errada, porque as ações educativas devem ser contextualizadas e com linguagem adequada ao público, não restritas a temas científicos e acadêmicos nem a linguagem formal/técnica.
- E)para o planejamento das ações educativas em nutrição, são recomendadas as seguintes estratégias de comunicação: manter contato visual, promover interação constante com os participantes, emitir tom de voz audível e linear. Deve-se preferir falas e textos longos, fomentando um diálogo centralizado no educador, cuja fala deve ser empática.
Errada, porque comunicação educativa eficaz não prioriza fala longa e centralizada no educador; o ideal é interação, escuta e linguagem clara, acessível e dialógica.
Gabarito: B
A Educação Alimentar e Nutricional (EAN) não é só passar informação sobre comida. Ela envolve entender o território, a cultura, os hábitos, as relações sociais e até quem pode ajudar a levar a ação adiante. Por isso, quando você pensa em planejar uma atividade educativa, precisa olhar para a realidade local e articular diferentes setores e atores sociais. A EAN é intersetorial, participativa e contextualizada. Não funciona bem no modelo “palestra e pronto”, porque mudança de hábito pede vínculo, escuta e adequação ao público. Na prática, isso combina com a lógica da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), que no Brasil é organizada por instâncias de participação e gestão como o CONSEA e a CAISAN. O CONSEA faz a ponte entre sociedade e governo, com papel consultivo e de articulação social, enquanto a CAISAN coordena a ação interministerial e intersetorial no âmbito governamental. É exatamente por isso que a alternativa B está correta: ela descreve instrumentos institucionais que aproximam sociedade e gestão pública e ajudam a organizar e monitorar políticas de SAN. As outras alternativas tropeçam em pontos bem comuns de prova: restringem parcerias sem necessidade, isolam a EAN apenas para nutricionistas, defendem linguagem excessivamente técnica ou sugerem comunicação pouco dialógica. Em EAN, o sucesso costuma vir do contrário: linguagem acessível, construção coletiva e ações feitas com a comunidade, não para a comunidade.