No contexto clínico, a avaliação das proteínas plasmáticas pode ser usada na avaliação do estado nutricional, auxiliando na tomada de decisão em relação à terapia nutricional. Em relação à albumina sérica como marcador do estado nutricional, avalie as afirmativas a seguir. I. Exerce função de transporte de alguns nutrientes, dentre eles o cálcio, cobre e ácidos graxos de cadeia longa. II. Apresenta meia vida de 14 a 20 dias. III. Os valores correspondentes à normalidade são aqueles superiores a 2,5 mg/dL. Está correto o que se afirma em
- A)III, apenas
Essa alternativa sustenta que apenas a afirmativa III estaria correta, isto é, que a normalidade da albumina sérica seria definida por valores acima de 2,5 mg/dL. Isso está incorreto, porque a albumina sérica normal é expressa em g/dL e costuma ficar aproximadamente entre 3,5 e 5,0 g/dL, de modo que 2,5 mg/dL nem sequer corresponde a um valor fisiológico adequado. Além disso, as afirmativas I e II trazem dados corretos sobre função de transporte e meia-vida da albumina.
- B)I e II apenas.
Aqui se afirma que somente as proposições I e II são verdadeiras. Isso procede porque a albumina realmente atua no transporte de substâncias como cálcio, cobre e ácidos graxos de cadeia longa, e sua meia-vida gira em torno de 14 a 20 dias, o que a torna um marcador mais lento de alteração do estado proteico. Já a afirmativa III não entra, porque o ponto de corte apresentado está errado.
- C)I e III apenas.
Essa alternativa diz que as afirmativas I e III estariam corretas. A parte I está mesmo adequada, pois a albumina participa do transporte de diversos ligantes no plasma, mas a III falha ao fixar normalidade acima de 2,5 mg/dL, quando o padrão esperado é em g/dL e em faixa bem superior a isso. Como ela combina uma afirmativa verdadeira com outra falsa, a conclusão não se sustenta.
- D)II e III apenas.
A proposta aqui é reconhecer como corretas apenas as afirmativas II e III. Embora a II seja verdadeira, porque a albumina tem meia-vida de cerca de 14 a 20 dias, a III está equivocada pelo valor e pela unidade informados para normalidade, que não são compatíveis com a referência laboratorial da albumina sérica. Além disso, a afirmativa I também é verdadeira, então o conjunto sugerido pela alternativa não fecha.
- E)I, II e III.
Essa alternativa afirma que as três afirmativas estariam corretas. As afirmativas I e II realmente descrevem características conhecidas da albumina, como função de transporte e meia-vida relativamente longa, mas a III erra ao apontar como normal um valor superior a 2,5 mg/dL, quando a albumina sérica normal é medida em g/dL e fica em patamar bem mais alto. Como uma das três proposições falha, não é possível validar a alternativa inteira.
Gabarito: B
A albumina sérica é uma das proteínas plasmáticas mais cobradas em Nutrição clínica porque ajuda a observar o quadro geral do paciente, embora não seja um marcador perfeito de estado nutricional isolado. Ela é produzida no fígado, circula em grande quantidade no plasma e participa do transporte de várias substâncias, incluindo cálcio, cobre, bilirrubina, hormônios e ácidos graxos de cadeia longa. Então, a afirmativa I está correta. Outro ponto clássico é a meia vida da albumina, que fica em torno de 14 a 20 dias. Isso significa que ela muda mais devagar do que outros marcadores laboratoriais, o que a torna pouco útil para detectar alterações nutricionais muito recentes, mas útil em avaliações de tendência. Por isso, a afirmativa II também está correta. A afirmativa III está errada por dois motivos: o valor de referência usual da albumina sérica é em gramas por decilitro, não em mg/dL, e a normalidade costuma ficar aproximadamente entre 3,5 e 5,0 g/dL, não acima de 2,5 mg/dL. Aqui mora a pegadinha clássica de prova: trocar unidade e ainda baixar demais o ponto de corte. Em resumo, o gabarito é a letra B porque somente as afirmativas I e II estão corretas. Em prova de Nutrição clínica, a banca gosta de misturar função biológica real com valor laboratorial errado para ver se você cai na armadilha.