A Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no Paciente Grave, publicada em 2023, formula linhas de tratamento baseadas no contexto multidisciplinar, promovendo a uniformização das práticas de terapia nutricional. Quanto ao documento supracitado referente ao suporte nutricional enteral e parenteral, é correto afirmar que
- A)no paciente grave, recomenda-se iniciar a nutrição parenteral suplementar (NPS) na primeira semana de hospitalização, isto é, precocemente.
Errada: a nutrição parenteral suplementar não deve ser iniciada de rotina na primeira semana em todo paciente grave, pois a conduta depende da evolução da nutrição enteral e do aporte alcançado.
- B)para pacientes graves, o uso de nutrição parenteral pronta apresenta superioridade clínica quando comparada à individualizada.
Errada: a nutrição parenteral pronta não apresenta superioridade clínica comprovada em relação à individualizada para pacientes graves.
- C)na vigência da insuficiência renal aguda, os pacientes críticos devem receber fórmulas enterais diferenciadas e com recomendações energéticas aumentadas.
Errada: na insuficiência renal aguda, não há indicação rotineira de fórmulas enterais diferenciadas nem de aumentar energia de forma automática.
- D)o uso de glutamina para pacientes queimados é fortemente recomendado, sugerindo-se doses elevadas diárias para recuperação do estado nutricional.
Errada: a glutamina não é fortemente recomendada de forma rotineira em queimados, e doses elevadas diárias não são sustentadas como regra pela diretriz.
- E)sugere-se a nutrição enteral em posição gástrica como padrão; considerar posicionamento pós-pilórico em casos específicos como, por exemplo, quando há alto risco para aspiração.
Certa: a via gástrica é o padrão inicial da nutrição enteral, reservando-se o posicionamento pós-pilórico para situações específicas, como maior risco de aspiração.
Gabarito: E
Na terapia nutricional do paciente grave, a ideia central é simples: se o intestino funciona, ele costuma ser o primeiro caminho a ser usado. A diretriz BRASPEN de 2023 reforça esse raciocínio e coloca a nutrição enteral como estratégia preferencial, porque mantém a integridade intestinal e, em geral, é mais fisiológica e mais barata do que a via parenteral. Por isso, o posicionamento gástrico costuma ser o padrão inicial. Isso não significa teimosia terapêutica: se o paciente tem alto risco de aspiração, intolerância gástrica importante ou outras situações específicas, vale considerar a sonda pós-pilórica. Em outras palavras, começa-se pelo mais simples e seguro, mas sem ignorar o contexto clínico. É exatamente isso que a alternativa E descreve. Ela está alinhada com a diretriz ao dizer que a nutrição enteral em posição gástrica é o padrão e que o pós-pilórico deve ser considerado em cenários selecionados, como alto risco de aspiração. Esse é o tipo de conduta que a banca gosta: uma regra geral com exceção bem indicada. As demais opções tentam “empurrar” condutas que não são recomendadas de forma rotineira. A BRASPEN não defende parenteral suplementar precoce na primeira semana para todo paciente grave, não aponta superioridade clínica da nutrição parenteral pronta sobre a individualizada, não recomenda fórmulas enterais especiais com aumento energético na IRA de rotina, e também não faz recomendação forte para glutamina em queimados.