Paciente M.C.P., 26 anos, diagnosticada com insuficiência renal crônica (IRC) em estágio 5, encontra-se internada à espera de um transplante de rins. Ela apresenta perda de albumina na urina, com quadro de anasarca, aumento severo da creatinina sérica e pH = 6,3 (determinado por gasometria arterial). De acordo com a fisiopatologia da IRC e suas recomendações nutricionais, avalie se as afirmativas a seguir são verdadeiras (V) ou falsas (F). ( ) A paciente desenvolveu anasarca por causa da albuminuria, uma manifestação presente na IRC, causada pela multiplicação dos podócitos. ( ) A taxa de filtração glomerular (TFG) é diretamente proporcional aos níveis séricos de creatinina. Portanto, quanto maior a TFG, maior a concentração de creatinina no sangue. ( ) M.C.P. apresenta um quadro de alcalose metabólica, comum no quadro avançado de IRC. Portanto, é recomendado o consumo de alimentos ácidos, como frutas cítricas e vinagre. As afirmativas são, respectivamente,
- A)V – V – F.
Errada, porque a primeira afirmativa está incorreta ao atribuir a anasarca à multiplicação dos podócitos e a segunda também inverte a relação entre TFG e creatinina.
- B)V – F – V.
Errada, porque a primeira e a terceira afirmativas estão incorretas, embora a segunda também esteja errada.
- C)F – V – F.
Errada, porque a segunda afirmativa está ao contrário do esperado na IRC: creatinina alta costuma indicar TFG baixa.
- D)F – F – V.
Errada, porque a terceira afirmativa traz acidose como alcalose e ainda propõe uma conduta dietética inadequada.
- E)F – F – F.
Certa, porque as três afirmativas estão incorretas à luz da fisiopatologia da IRC.
Gabarito: E
Na insuficiência renal crônica (IRC) avançada, o rim perde a capacidade de filtrar adequadamente o sangue, e isso bagunça de vez o equilíbrio de água, sais, ácido-base e toxinas. Um dos sinais clássicos é o aumento da creatinina sérica, porque ela passa a ser eliminada menos pela urina. Então, em vez de subir a TFG e a creatinina juntos, acontece o oposto: quanto menor a TFG, maior tende a ser a creatinina no sangue. No caso da albuminúria, o problema não é “multiplicação dos podócitos”, e sim lesão da barreira de filtração glomerular, que inclui podócitos, membrana basal e endotélio. Quando essa barreira falha, a albumina escapa para a urina, reduzindo a pressão oncótica plasmática e favorecendo edema, podendo chegar à anasarca. É o tipo de quadro que faz o corpo reter líquido e inchar mais que balão de festa. Outro ponto importante: a paciente não está em alcalose metabólica, e sim em acidose metabólica. Na IRC avançada, o rim não consegue excretar bem os ácidos nem regenerar bicarbonato, então o pH tende a cair. O valor de pH 6,3 indica acidemia importante, e não alcalose. Por isso, a orientação dietoterápica não é “caprichar em alimentos ácidos” como se isso corrigisse a acidose; o manejo nutricional costuma envolver controle de proteínas, sódio, potássio, fósforo e, conforme o caso, ajuste do bicarbonato e da carga ácida da dieta. Assim, as três assertivas estão erradas: a primeira erra a causa da albuminúria, a segunda inverte a relação entre TFG e creatinina, e a terceira erra o distúrbio ácido-base e a recomendação dietética. Por isso, o gabarito é a alternativa E.