Uma paciente de 45 anos de idade apresenta sintomas neurológicos inexplicáveis, incluindo fraqueza muscular, formigamento de extremidades e dificuldade de equilíbrio. O médico suspeita de deficiência de uma vitamina do complexo B. Ao solicitar exames laboratoriais, é observada a elevação dos níveis de ácido metilmalônico e de homocisteína plasmática. Esses achados são sugestivos da deficiência da seguinte vitamina do complexo B:
- A)Tiamina (vitamina B1).
Errada: a tiamina está ligada principalmente ao metabolismo energético e à função neurológica, mas não provoca elevação de ácido metilmalônico e homocisteína.
- B)Riboflavina (vitamina B2).
Errada: a riboflavina participa de reações de oxirredução, porém não é o achado clássico associado a esses dois marcadores laboratoriais.
- C)Piridoxina (vitamina B6).
Errada: a piridoxina pode alterar a homocisteína em algumas vias metabólicas, mas não explica o aumento de ácido metilmalônico.
- D)Ácido fólico (vitamina B9).
Errada: o ácido fólico pode elevar a homocisteína, mas não aumenta o ácido metilmalônico, o que afasta essa hipótese.
- E)Cobalamina (vitamina B12).
Certa: a deficiência de cobalamina eleva ácido metilmalônico e homocisteína e pode causar sintomas neurológicos como parestesias e desequilíbrio.
Gabarito: E
Quando uma pessoa chega com formigamento, fraqueza, desequilíbrio e outros sintomas neurológicos, vale lembrar que algumas vitaminas do complexo B são essenciais para o sistema nervoso. Entre elas, a vitamina B12 chama bastante atenção porque sua deficiência pode causar neuropatia, alteração de marcha e até quadro parecido com anemia megaloblástica. O corpo sente rápido quando ela falta, e o nervo não gosta nada disso. O detalhe que fecha a questão é o laboratório: aumento de ácido metilmalônico e de homocisteína plasmática. Esse combo é bem característico da deficiência de cobalamina, porque a vitamina B12 participa de duas reações importantes. Ela é cofator da metilmalonil-CoA mutase, e sua falta faz subir o ácido metilmalônico. Também participa da remetilação da homocisteína em metionina, então a homocisteína sobe junto. Aqui mora a pegadinha clássica de prova: o ácido fólico também pode elevar homocisteína, mas não eleva ácido metilmalônico. Então, quando os dois estão altos ao mesmo tempo, o raciocínio aponta para B12 e não para folato. É o tipo de detalhe bioquímico que a banca adora cobrar para separar quem decorou de quem entendeu. Portanto, o gabarito é a cobalamina (vitamina B12). Em termos práticos, ela é a vitamina que mais se associa a sintomas neurológicos com esses marcadores laboratoriais, especialmente em quadros de má absorção, anemia perniciosa ou dieta inadequada por tempo prolongado.