A nutrição enteral é uma estratégia importante para fornecer suporte nutricional a pacientes com dificuldades de alimentação oral. No entanto, algumas complicações podem surgir durante o seu uso. Assinale a opção que indica uma complicação e o manejo correto.
- A)Diarreia grave e persistente / Fornecer nutrição parenteral total e monitorar a função intestinal do paciente para ajustar a administração enteral conforme necessário.
Errada, porque diarreia isolada não indica, de imediato, nutrição parenteral total, já que primeiro se deve investigar causa, ajustar fórmula e velocidade e tratar a complicação.
- B)Plenitude gástrica e náuseas / Administrar medicamentos antieméticos antes da administração da nutrição enteral e reduzir a velocidade de infusão do líquido nutricional.
Certa, porque plenitude gástrica e náuseas costumam melhorar com redução da velocidade de infusão e uso de antieméticos, que são medidas clássicas de manejo da intolerância enteral.
- C)Síndrome do intestino curto com desnutrição / Introduzir progressivamente a nutrição enteral e utilizar fórmulas oligoméricas ou monoméricas de fácil absorção, além de evitar a adição de suplementos nutricionais.
Errada, porque a síndrome do intestino curto exige estratégia individualizada, e a orientação de evitar suplementação nutricional não é regra; além disso, a conduta descrita não é a principal associação pedida.
- D)Intolerância ao volume e distensão abdominal / Reduzir a taxa de infusão da nutrição enteral e fracionar as refeições em pequenos volumes, além de monitorar os níveis de glicose e triglicerídeos no sangue.
Errada, porque reduzir a velocidade e fracionar volumes ajuda na intolerância, mas o monitoramento de glicose e triglicerídeos não é a resposta específica para distensão abdominal e ainda mistura condutas de outro contexto.
- E)Hiperglicemia e hipertrigliceridemia / Ajustar a composição da fórmula enteral para conter lipídios de cadeia média e triglicerídeos de cadeia longa, além de monitorar a função hepática regularmente.
Errada, porque hiperglicemia e hipertrigliceridemia não se manejam simplesmente ajustando a fórmula enteral com esses tipos de lipídio, e o monitoramento hepático regular não corrige a complicação descrita.
Gabarito: B
A nutrição enteral é ótima quando o paciente não consegue se alimentar bem pela boca, mas o tubo não vem com manual de vida perfeita: podem aparecer náuseas, plenitude gástrica, distensão abdominal, diarreia e até alterações metabólicas. O segredo, na prática, é reconhecer o sintoma, ajustar a velocidade, o volume e, se necessário, a fórmula. Em geral, antes de “culpar” a dieta, vale pensar em posicionamento da sonda, velocidade de infusão, resíduo gástrico, medicamentos associados e tolerância global do paciente. Na alternativa B, o quadro é clássico: plenitude gástrica e náuseas costumam melhorar com redução da velocidade de infusão e, quando indicado, uso de antieméticos antes ou durante a administração. Isso faz sentido porque o problema costuma ser a sobrecarga gástrica ou a tolerância lenta ao volume, e não algo que exija uma mudança radical da via de suporte. Em outras palavras, o intestino não está fazendo drama, ele está dizendo que o ritmo ficou acelerado demais. Já as demais opções misturam complicações e condutas que não são o manejo usual da nutrição enteral. Algumas citam medidas próprias de nutrição parenteral, outras trazem monitorizações que não resolvem o sintoma descrito, e há também sugestões que destoam da fisiopatologia esperada. Em prova da FGV, isso é bem comum: a banca mistura um problema real com uma solução que parece elegante, mas não é a mais adequada. Como referência doutrinária, os manuais de terapia nutricional e as recomendações da ASPEN e da ESPEN orientam justamente o ajuste de velocidade, volume, fórmula e tratamento sintomático conforme a intolerância gastrointestinal, reservando a troca de via para situações em que a enteral realmente falha ou é contraindicada.