Na nutrição parenteral, os lipídios são uma fonte importante de energia e de ácidos graxos essenciais para os pacientes. Acerca dos tipos e uso de lipídios na nutrição parenteral, assinale a afirmativa correta.
- A)A utilização de lipídios de origem animal, como óleo de peixe, é indicada para pacientes com sepse grave, devido às propriedades anti-inflamatórias desses lipídios, que podem modular a resposta inflamatória excessiva.
Certa: o óleo de peixe fornece ômega-3, que pode ajudar a modular a inflamação em pacientes com sepse grave.
- B)Lipídios com predominância de ácidos graxos saturados devem ser preferencialmente utilizados em pacientes com síndrome do desconforto respiratório agudo, uma vez que reduzem a produção de citocinas pró-inflamatórias.
Errada: lipídios ricos em saturados não são a escolha preferencial no SDRA e não são os que mais reduzem citocinas pró-inflamatórias.
- C)A utilização exclusiva de lipídeos de origem vegetal é recomendada em pacientes com coagulopatias, pois esses lipídios apresentam menor risco de interferir na cascata de coagulação.
Errada: não existe recomendação de usar exclusivamente lipídios vegetais em coagulopatias, e o raciocínio não é esse.
- D)Lipídios contendo ácidos graxos ômega-6 são contraindicados em pacientes com lesão hepática aguda, pois podem agravar o processo inflamatório e a esteatose hepática.
Errada: lipídios com ômega-6 não são formalmente contraindicados por si só na lesão hepática aguda, embora seu excesso possa ser indesejável em alguns contextos.
- E)A adição de lipídeos na nutrição parenteral é desnecessária em pacientes obesos submetidos à restrição calórica, uma vez que a glicose e os aminoácidos são suficientes para atender suas necessidades energéticas.
Errada: mesmo em obesos com restrição calórica, os lipídios podem ser necessários para suprir ácidos graxos essenciais e compor a fórmula parenteral.
Gabarito: A
Na nutrição parenteral, os lipídios não servem só para dar energia: eles também ajudam a fornecer ácidos graxos essenciais, como o ácido linoleico e o alfa-linolênico, que o corpo não produz sozinho. Por isso, escolher o tipo de emulsão lipídica não é detalhe de prateleira, é decisão clínica mesmo. Em pacientes graves, especialmente em sepse, as emulsões com óleo de peixe chamam atenção porque trazem ômega-3, que tendem a ter efeito menos pró-inflamatório e podem ajudar a modular a resposta inflamatória exagerada. É por isso que a alternativa A está correta: ela aponta o uso de lipídios com óleo de peixe em cenário de sepse grave, justamente pelo possível efeito anti-inflamatório. Já as outras opções misturam conceitos reais com conclusões erradas. Nem todo lipídio vegetal é automaticamente o melhor, nem gordura saturada vira solução para desconforto respiratório agudo. Na prática, a composição da emulsão importa muito: excesso de ômega-6 pode favorecer inflamação, enquanto fórmulas com perfil mais equilibrado podem ser preferidas em alguns quadros críticos. Em resumo: na PN, lipídio não é só caloria. Ele entra para energia, para evitar deficiência de ácidos graxos essenciais e, dependendo da formulação, pode até influenciar inflamação e desfechos clínicos. Concurso adora esse tipo de pegadinha porque troca composição da emulsão por efeito clínico com cara de verdade.