A avaliação do estado nutricional nas diferentes faixas etárias deve ser elaborada com base nos dados clínicos, bioquímicos, antropométricos e dietéticos, atividades que são indispensáveis na assistência dietética a indivíduos sadios ou enfermos. Quanto à avaliação dos parâmetros bioquímicos, é correto afirmar que
- A)o volume corpuscular médio (VCM) representa o tamanho médio dos leucócitos circulantes no plasma.
Errada: o VCM mede o tamanho médio das hemácias, e não dos leucócitos.
- B)a Amplitude de Distribuição dos Glóbulos Vermelhos (RDW-Red Cell Distribution Width) é um índice que indica a variação de tamanho entre as plaquetas.
Errada: o RDW indica variação do tamanho das hemácias, não das plaquetas.
- C)em conjunto com outras análises, a diminuição de albumina sérica, quadro chamado de hipoalbuminúria pode indicar desnutrição ou doenças hepáticas.
Errada: a queda de albumina sérica sugere hipoalbuminemia, não hipoalbuminúria, e pode ocorrer em desnutrição e doenças hepáticas.
- D)o hematócrito sofre influência do estado de hidratação, assim, na desidratação, é comum haver aumento do hematócrito.
Certa: o hematócrito varia com a hidratação, e na desidratação ele tende a aumentar.
Gabarito: D
Na avaliação nutricional, os exames bioquímicos ajudam a enxergar o que a antropometria nem sempre mostra, como alterações inflamatórias, carências e sinais indiretos de desidratação. Por isso, eles devem ser lidos junto com o exame físico, a história clínica e a dieta do paciente, e nunca isoladamente. É aquela velha lição de concurso: um exame sozinho raramente fecha diagnóstico nutricional, mas em conjunto ele conta uma boa história. O hematócrito é um dos parâmetros que mais sofrem influência do estado de hidratação. Quando há desidratação, o plasma diminui e a concentração das hemácias aumenta, então o hematócrito tende a subir. Já na hiper-hidratação, pode acontecer o contrário, com diluição do sangue e redução do valor. A alternativa D está correta exatamente por isso: a desidratação costuma elevar o hematócrito. Esse dado é útil na interpretação clínica, porque um valor alto não significa automaticamente “melhor estado nutricional”; pode ser apenas falta de água circulante. As demais alternativas trazem conceitos trocados de propósito, bem no estilo FGV de confundir quem decorou siglas sem entender o que elas medem. Em bioquímica, o segredo é esse: saber o nome do exame, o que ele mede e em que contexto ele muda.