A terapia nutricional enteral ou parenteral é frequentemente utilizada em pacientes com nefropatia, mas é importante conhecer os aspectos relacionados à sua aplicação. A esse respeito, assinale a afirmativa correta.
- A)Em pacientes com nefropatia em estágio avançado de doença renal crônica, a terapia nutricional parenteral é sempre preferida, pois minimiza o risco de desnutrição e complicações relacionadas à alimentação enteral.
Errada: a nutrição parenteral não é sempre a preferida em doença renal crônica avançada, porque a via enteral deve ser priorizada quando o trato gastrointestinal está funcionante.
- B)A terapia nutricional parenteral é recomendada como tratamento de primeira linha em pacientes com nefropatia com lesão renal aguda, especialmente quando a função gastrointestinal está comprometida.
Errada: a nutrição parenteral pode ser usada quando a via digestiva não funciona, mas não é tratamento de primeira linha em nefropatia por lesão renal aguda.
- C)A suplementação de vitamina D não é considerada essencial na terapia nutricional de pacientes com nefropatia, uma vez que eles têm baixa excreção renal dessa vitamina.
Errada: a vitamina D é importante na nefropatia, especialmente na doença renal crônica, pois há alterações no metabolismo mineral e ósseo que frequentemente exigem avaliação e suplementação.
- D)A terapia nutricional enteral com formulações específicas para pacientes com nefropatia pode auxiliar na redução da progressão da doença renal crônica e na melhoria da qualidade de vida.
Certa: fórmulas enterais específicas para nefropatas ajudam a ajustar nutrientes críticos e podem melhorar o estado nutricional e a איכות de vida, com impacto favorável na evolução clínica.
- E)A suplementação de aminoácidos de cadeia ramificada é recomendada na terapia nutricional em pacientes com nefropatia para promover a síntese proteica e melhorar o estado nutricional.
Errada: aminoácidos de cadeia ramificada não são recomendação geral e rotineira para todos os pacientes com nefropatia; o uso depende do contexto clínico e do plano dietético.
Gabarito: D
Na nefropatia, a escolha da via nutricional depende do estado clínico e do funcionamento do trato gastrointestinal. Sempre que o intestino funciona, a via enteral costuma ser a preferida, porque é mais fisiológica, mais barata e menos associada a complicações infecciosas do que a parenteral. Em pacientes com doença renal crônica, a dieta e as fórmulas enterais precisam ser ajustadas para controlar proteína, sódio, potássio, fósforo e, quando necessário, o volume de líquidos. É aí que a alternativa D acerta: a terapia enteral com formulações específicas para nefropatas pode ajudar a manter melhor o estado nutricional, reduzir desequilíbrios metabólicos e contribuir para melhor qualidade de vida. Em muitos casos, esse cuidado nutricional também ajuda a retardar a piora clínica, principalmente quando evita desnutrição e sobrecarga de solutos. Ou seja, nada de sair empurrando parenteral como solução mágica. A terapia parenteral fica reservada para situações em que a via digestiva não pode ser usada ou não atende às necessidades do paciente. Ela não é primeira escolha só porque existe doença renal, e muito menos deve ser tratada como padrão em todo paciente nefropata. O raciocínio correto é sempre: se o intestino pode ser usado, use-o. Na prática de prova, a FGV gosta de cobrar esse contraste entre enteral e parenteral e o ajuste fino das fórmulas para doença renal. Então, quando aparecer um paciente nefropata com trato gastrointestinal preservado, desconfie de qualquer resposta que queira pular direto para nutrição parenteral sem necessidade.