O impacto nutricional adverso do câncer pode ser ocasionado tanto pela própria doença quanto pelos efeitos colaterais dos tratamentos com quimioterapia e/ou radioterapia. Assinale a opção que correlaciona corretamente o impacto nutricional adverso à estratégia de intervenção nutricional.
- A)Mucosite – estimular o consumo de alimentos quentes.
Errada, porque na mucosite alimentos quentes tendem a piorar a dor e a irritação da mucosa, sendo preferíveis preparações frias ou em temperatura ambiente.
- B)Esofagite – estimular a ingestão de alimentos mais úmidos.
Certa, porque a esofagite causa dor ao engolir e alimentos mais úmidos, macios e com molho diminuem o desconforto e facilitam a deglutição.
- C)Alteração do paladar – evitar o uso de utensílios de plástico.
Errada, porque a alteração do paladar costuma ser manejada com ajuste de temperos, temperatura e higiene oral; evitar utensílios de plástico não é a orientação clássica.
- D)Xerostomia – evitar o consumo de alimentos ácidos.
Errada, porque na xerostomia o foco é aumentar a umidade da dieta, estimular saliva e, muitas vezes, evitar alimentos secos e muito ácidos que aumentem o desconforto.
Gabarito: B
Nos tratamentos oncológicos, os efeitos adversos no trato digestivo e na boca costumam atrapalhar muito a alimentação. A lógica da dietoterapia aqui é simples: você adapta a consistência, a temperatura e o sabor dos alimentos ao sintoma predominante, para diminuir dor, melhorar aceitação e evitar piora do quadro. Em prova, a banca costuma cobrar exatamente essa relação entre sintoma e conduta nutricional prática. Na esofagite, o problema central é a dor e a dificuldade para engolir, então a estratégia mais útil é oferecer alimentos mais úmidos, macios e fáceis de deglutir, como preparações com molho, sopas cremosas e alimentos pastosos. Isso reduz o atrito no esôfago inflamado e facilita a ingestão calórica e proteica, que é crucial no paciente oncológico. Por isso o gabarito é a letra B. A ideia não é “forçar” o paciente a comer mais, e sim tornar a refeição menos agressiva e mais tolerável. Em dietoterapia oncológica, a regra de ouro é adaptar a alimentação ao sintoma: mucosite pede cuidado com temperatura e textura, xerostomia pede estímulo de salivação e umidade, alterações de paladar pedem ajustes de sabor e de utensílios, e assim por diante. Não há um fundamento legal específico aqui, porque o tema é técnico-assistencial, baseado em prática clínica e diretrizes de nutrição em oncologia. O que vale é a raciocínio terapêutico: aliviar o sintoma para manter a via oral o máximo possível e evitar desnutrição.