Analise as afirmativas abaixo sobre a doença renal crônica (DRC). 1. A uremia, o processo inflamatório crônico e a diálise peritoneal são fatores que contribuem para redução da ingestão alimentar. 2. O aumento do catabolismo proteico, o qual pode ser ocasionado pela acidose metabólica e resistência à insulina, contribui para diminuição da massa e da função muscular, condição denominada de sarcopenia. 3. A avaliação nutricional de pacientes portadores de DRC exige cuidado na obtenção de medidas como também na sua interpretação, por conta, principalmente, dos distúrbios hídricos (edema e/ou ascite). 4. A recomendação proteica a pacientes em hemodiálise ou diálise peritoneal baseia-se na restrição, ou seja, em torno de 0,6 g/kg/dia, com o objetivo de minimizar a sobrecarga renal. 5. À medida que a função renal decai, a homeostase do fósforo no organismo fica comprometida; sendo assim, faz-se necessário evitar alimentos processados, por conta da presença dos aditivos alimentares à base de fósforo nesses alimentos. Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
- A)São corretas apenas as afirmativas 3 e 4.
Essa alternativa reúne as afirmativas 3 e 4. A 3 descreve um ponto real da DRC: edema e outros distúrbios hídricos podem distorcer peso, circunferências e dobras cutâneas, exigindo cautela na interpretação dos dados antropométricos. O problema é a 4, porque a faixa de 0,6 g/kg/dia é usada na DRC sem diálise; em hemodiálise ou diálise peritoneal, a oferta proteica precisa ser maior para compensar perdas e catabolismo.
- B)São corretas apenas as afirmativas 4 e 5.
Aqui se afirma que apenas as afirmativas 4 e 5 compõem o conjunto correto. A 5 está bem fundamentada, pois a queda da função renal compromete a excreção de fósforo e os aditivos fosfatados de alimentos processados têm alta biodisponibilidade, o que justifica sua restrição. Já a 4 erra ao impor dieta hipoproteica de 0,6 g/kg/dia a pacientes dialíticos, quando essa recomendação é típica de tratamento conservador, não de hemodiálise ou diálise peritoneal.
- C)São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 4.
Essa alternativa escolhe as afirmativas 1, 2 e 4. As duas primeiras descrevem mecanismos típicos da DRC: uremia, inflamação crônica e diálise peritoneal reduzem a ingestão alimentar, e o aumento do catabolismo proteico, favorecido por acidose metabólica e resistência à insulina, contribui para perda de massa e função muscular. O erro está na 4, porque pacientes em diálise não recebem restrição proteica de 0,6 g/kg/dia; ao contrário, necessitam de maior aporte proteico.
- D)São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 5.
A alternativa aponta as afirmativas 1, 3 e 5. Elas descrevem adequadamente a DRC: há redução da ingestão por uremia e inflamação, a avaliação nutricional fica mais difícil por edema e outros distúrbios hídricos, e o fósforo precisa ser controlado com atenção aos aditivos presentes em processados. O equívoco é excluir a 2, já que o catabolismo proteico aumentado, associado à acidose e à resistência à insulina, favorece sarcopenia.
- E)São corretas apenas as afirmativas 1, 2, 3 e 5.
Essa é a combinação correta, porque reúne as afirmativas 1, 2, 3 e 5. Elas sintetizam pontos centrais da dietoterapia na DRC: menor ingestão por sintomas urêmicos e inflamação, perda muscular por catabolismo aumentado, dificuldade de avaliação nutricional por alterações de volume e necessidade de controlar fósforo, especialmente o que vem de aditivos em alimentos processados. A única afirmativa fora do conjunto é a 4, pois em hemodiálise e diálise peritoneal a recomendação proteica não é restritiva em 0,6 g/kg/dia.
Gabarito: E
Na doença renal crônica (DRC), o cuidado nutricional é cheio de detalhes porque o corpo passa a lidar mal com proteínas, minerais e com o próprio estado inflamatório. Por isso, é comum haver redução do apetite e perda de massa muscular, além de alterações importantes no exame físico e nas medidas antropométricas. A uremia, a inflamação crônica e até a diálise peritoneal podem diminuir a ingestão alimentar, porque somam mal-estar, saciedade precoce e desconfortos gastrointestinais. Outro ponto muito cobrado é que a DRC favorece o catabolismo proteico. Acidose metabólica e resistência à insulina aumentam a quebra de proteína corporal, contribuindo para perda de massa e de função muscular, quadro que se relaciona com sarcopenia. Ou seja: o rim falha, o músculo paga a conta. Na avaliação nutricional, você precisa ter cuidado extra com peso, IMC e outras medidas, porque edema e ascite podem mascarar a real composição corporal. Então, a interpretação não pode ser literal como em um paciente sem distúrbio hídrico. Isso faz da afirmativa 3 uma ideia correta e bem clássica em dietoterapia renal. Já a afirmativa sobre proteína está errada porque pacientes em hemodiálise ou diálise peritoneal não seguem, em regra, restrição de 0,6 g/kg/dia. Essa faixa é mais associada à DRC não dialítica; em diálise, a necessidade proteica costuma ser maior para compensar perdas dialíticas e evitar desnutrição. Além disso, como o fósforo se acumula com a perda da função renal, faz sentido evitar ultraprocessados com aditivos fosfatados, o que torna a afirmativa 5 correta. Por isso, o gabarito E fecha direitinho com as afirmativas 1, 2, 3 e 5.