A obesidade entre crianças e adolescentes é o resultado de uma série complexa de fatores genéticos, individuais/comportamentais e ambientais que atuam em múltiplos contextos – familiar, comunitário, escolar, social e político. Por ser multifatorial, trata-se de uma condição de difícil compreensão e desafiadora para intervenção, pois exige ações integradas em diversos setores, além da saúde. Intervenções realizadas no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS) permitem integrar diferentes serviços de saúde para prevenção, cuidado e tratamento da obesidade infantil junto à comunidade local. São consideradas estratégias para prevenção e atenção à obesidade infantil na APS, EXCETO:
- A)Promoção da atividade física.
Correta, porque a promoção da atividade física é uma das medidas centrais de prevenção e controle da obesidade infantil na APS.
- B)Vigilância alimentar e nutricional.
Correta, pois a vigilância alimentar e nutricional faz parte do acompanhamento rotineiro na atenção primária.
- C)Capacitação de profissionais de saúde em nível hospitalar.
Errada, porque a capacitação em nível hospitalar não é uma estratégia típica da APS, que atua no território e na atenção longitudinal.
- D)Organização do cuidado às crianças com sobrepeso e obesidade.
Correta, já que organizar o cuidado das crianças com sobrepeso e obesidade é papel direto da APS.
- E)Promoção do aleitamento materno e da alimentação adequada e saudável.
Correta, pois a promoção do aleitamento materno e da alimentação adequada e saudável é medida preventiva clássica na APS.
Gabarito: C
Na Atenção Primária à Saúde (APS), a prevenção e o cuidado da obesidade infantil precisam acontecer perto da vida real da criança: na unidade de saúde, na escola, na família e na comunidade. Por isso, entram aqui ações como promoção da atividade física, incentivo ao aleitamento materno, alimentação adequada e saudável, vigilância alimentar e nutricional e organização do acompanhamento das crianças com sobrepeso e obesidade. É a lógica do cuidado contínuo, com equipe acompanhando antes que o problema vire um gigante de difícil manejo. A APS trabalha muito com prevenção, identificação precoce e acompanhamento longitudinal. Isso combina com o que orientam documentos do Ministério da Saúde, como a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) e os materiais da Estratégia Nacional para Prevenção e Atenção à Obesidade Infantil, que reforçam a atuação intersetorial e territorial. Ou seja: não basta orientar a família e sumir. Tem que monitorar, acolher e construir ações no território. A alternativa C é a exceção porque fala em capacitação de profissionais de saúde em nível hospitalar. Isso foge da APS, que é a porta de entrada do SUS e o cenário típico das ações de prevenção e cuidado longitudinal na comunidade. Hospital tem seu papel no sistema, mas não é o foco da estratégia descrita na questão. Então, guarde a ideia-chave: quando a questão falar de prevenção da obesidade infantil na APS, pense em promoção de saúde, vigilância, educação alimentar e organização do cuidado. Se aparecer algo muito hospitalar, centralizado demais ou fora do território, desconfie.