A doença cardiovascular é a principal causa de morte no Brasil e no mundo, determinando aumento da morbidade e incapacidade ajustada pelos anos de vida. As dislipidemias representam importante fator de risco cardiovascular, sendo que a lipoproteína de baixa densidade colesterol (LDL-c) é considerado o mais relevante fator de risco modificável para doença arterial coronariana. Sobre tipos de gorduras alimentares e terapia nutricional para saúde cardiovascular, analise as afirmativas a seguir. I. Os ácidos graxos monoinsaturados são mais resistentes ao estresse oxidativo; e uma dieta rica nestes ácidos graxos faz com que as partículas de LDL-c fiquem enriquecidas com eles e, por isso, menos suscetíveis à oxidação. II. Os ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 exercem inúmeros efeitos sobre diferentes aspectos fisiológicos e do metabolismo que podem influenciar a chance de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como melhora da função autonômica, antiarrítmico, diminuição da agregação plaquetária e da pressão arterial, melhora da função endotelial, estabilização da placa de ateroma. III. O efeito dos ácidos graxos poli-insaturados ômega-6 sobre trigliceridemia se deve à ação desse ácido graxo na redução da síntese de APO-B e aumento do seu catabolismo; simultaneamente pode acelerar o catabolismo dos quilomícrons por estimular a atividade da enzima lipoproteína lipase. Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
A alternativa reúne as três afirmativas, isto é, diz que gorduras monoinsaturadas protegem contra oxidação da LDL, que os ômega-3 melhoram vários desfechos cardiovasculares e que os ômega-6 reduzem triglicerídeos por menor síntese de apo-B e maior depuração de quilomícrons. As duas primeiras descrições estão corretas, mas a terceira mistura mecanismos classicamente atribuídos aos ômega-3 e não aos ômega-6, especialmente a estimulação da lipoproteína lipase e a redução de VLDL/apo-B. Por isso, não se pode admitir o conjunto inteiro como verdadeiro.
- B)I e II, apenas.
A alternativa afirma que apenas as assertivas I e II são verdadeiras. Isso procede porque os ácidos graxos monoinsaturados são mais estáveis à oxidação e podem tornar a LDL menos suscetível à peroxidação, e os ômega-3 têm efeitos cardiovasculares bem descritos, como ação antiarrítmica, antiagregante e melhora da função endotelial. Já a III erra ao atribuir aos ômega-6 um mecanismo de redução de triglicerídeos que é típico dos ômega-3, o que inviabiliza incluí-la.
- C)I e III, apenas.
A alternativa sustenta que as afirmativas I e III estariam corretas. Embora a I esteja tecnicamente certa, a III não se sustenta, porque o efeito de redução de triglicerídeos por menor síntese de apo-B e maior catabolismo de quilomícrons é classico dos ômega-3, não dos ômega-6. Além disso, a II também é verdadeira, de modo que essa opção exclui uma afirmativa correta e inclui uma incorreta.
- D)II e III, apenas.
A alternativa diz que as assertivas II e III estariam corretas. A II realmente descreve benefícios cardiovasculares bem reconhecidos dos ômega-3, mas a III atribui aos ômega-6 um efeito metabólico que a literatura associa principalmente aos ômega-3, especialmente na redução de triglicerídeos e na maior atividade da lipoproteína lipase. Além disso, a I também está correta, então a opção deixa de fora uma afirmativa verdadeira e inclui uma falsa.
Gabarito: B
Quando o assunto é saúde cardiovascular, o tipo de gordura importa bastante. Em geral, gorduras saturadas e trans pioram o perfil lipídico, enquanto monoinsaturadas e poli-insaturadas tendem a ajudar, cada uma com seu mecanismo. As monoinsaturadas, como as do azeite, são mais estáveis à oxidação e podem deixar a LDL menos vulnerável ao estresse oxidativo, o que favorece menor aterogenicidade. Os ômega-3 merecem fama: eles atuam em várias frentes, reduzindo triglicerídeos, ajudando na função endotelial, na estabilidade da placa, na agregação plaquetária e até na eletricidade do coração, o que explica o potencial antiarrítmico. Por isso, a afirmativa II está correta e resume bem esse efeito cardioprotetor. Já a afirmativa III escorrega. O efeito clássico dos ômega-6 sobre triglicerídeos não é descrito, de forma padrão, por essa combinação de redução da síntese de APO-B e aumento de catabolismo por estímulo da lipoproteína lipase. Isso mistura mecanismos e atribui ao ômega-6 um papel que não é o consagrado na literatura da dietoterapia cardiovascular. Em prova, quando a banca exagera no mecanismo bioquímico, acenda o alerta. Assim, ficam corretas apenas as afirmativas I e II, que é exatamente o gabarito B. Em concurso, a lógica é: monoinsaturada ajuda a estabilizar, ômega-3 protege em várias etapas, e o item III tenta complicar além do que a fisiologia cobra.