É fundamental que as crianças sejam protegidas e as famílias sejam apoiadas para a garantia do direito humano à alimentação adequada. Para tal, são necessárias políticas públicas intersetoriais para promover o acesso da população à alimentação adequada e saudável e para auxiliar as pessoas a desenvolverem autonomia em suas escolhas. O guia alimentar para crianças brasileiras menores de dois anos traz recomendações e informações sobre como alimentar a criança para promover seu crescimento e desenvolvimento e favorecer sua saúde. Sobre as recomendações e informações sobre a amamentação presentes neste guia alimentar, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)Apesar da recomendação de amamentar até dois anos ou mais, não há tempo máximo estabelecido para o fim da amamentação.
Está correta: o guia recomenda amamentação até 2 anos ou mais, sem fixar um tempo máximo obrigatório para o desmame.
- B)Uma criança não deve ser amamentada por outra mulher que não a mãe, nem mesmo receber seu leite em copo, mamadeira ou outro utensílio, mesmo que essa mulher seja da família ou conhecida.
Está correta: o leite materno não deve ser oferecido por outra mulher nem por utensílios, preservando a segurança e a individualização da amamentação.
- C)Nos primeiros seis meses, a recomendação é que a criança receba somente leite materno. Quando isso ocorre, a criança está em amamentação exclusiva. Apenas em regiões muito quentes e secas, pode-se oferecer água para complementar o leite materno nesta fase.
Está errada: nos primeiros 6 meses a criança deve receber somente leite materno, sem água, inclusive em regiões quentes e secas.
- D)Recomenda-se à mulher não amamentar quando infectadas pelo HIV, HTLV1 e HTLV2 ou em uso de algum medicamento incompatível com a amamentação. Mães usuárias regulares de álcool ou drogas ilícitas não devem amamentar seus filhos enquanto estiverem fazendo uso dessas substâncias.
Está correta: HIV, HTLV1, HTLV2, alguns medicamentos e o uso regular de álcool ou drogas ilícitas são situações em que a amamentação deve ser evitada ou suspensa enquanto durar a exposição.
- E)A criança em amamentação exclusiva pode ter alergia. O alimento ingerido pela mãe que mais causa alergia na criança é o leite de vaca. Presença de sangue nas fezes, refluxo e irritabilidade são alguns dos sinais de alergia na criança. Se a alergia for confirmada, a mulher não precisa suspender a amamentação, apenas retirar da sua dieta o alimento que supostamente está causando a alergia.
Está correta: em caso de alergia confirmada, em geral mantém-se a amamentação e retira-se da dieta materna o alimento desencadeante, como o leite de vaca.
Gabarito: C
O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos reforça uma ideia simples e poderosa: amamentar é mais do que alimentar, é proteger. Por isso, a recomendação é manter o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e, depois, seguir com a amamentação, junto com a introdução gradual de outros alimentos, até 2 anos ou mais. Na prática, isso significa que, nos primeiros 6 meses, o bebê deve receber apenas leite materno, sem água, chás, sucos ou qualquer outro alimento. E aqui mora o erro da questão: a alternativa C tenta criar uma exceção para regiões quentes e secas, mas o guia não admite essa flexibilização. Mesmo em clima quente, o leite materno supre a necessidade de hidratação do lactente nessa fase. O guia também orienta que a amamentação deve ser protegida em situações específicas. Há recomendações de não amamentar em casos como HIV, HTLV1 e HTLV2, além do uso de substâncias ou medicamentos incompatíveis. E, quando há suspeita de alergia alimentar na criança, a conduta costuma ser avaliar a dieta materna, sem sair interrompendo a amamentação à toa. Em resumo: o gabarito é C porque contraria a orientação central do aleitamento exclusivo. O bebê até 6 meses fica só no leite materno, sem “complementos bem-intencionados” que, na verdade, atrapalham.