A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados da Pressão Arterial (PA). Associa-se, frequentemente, a alterações funcionais e/ou estruturais dos órgãos-alvo e a alterações metabólicas, com consequente aumento do risco de eventos cardiovasculares. Tem alta prevalência e baixas taxas de controle; é considerada um dos principais fatores de risco modificáveis e um dos mais importantes problemas de saúde pública. Sobre o tratamento nutricional da HAS, analise as afirmativas a seguir. I. A adição de potássio na dieta de forma suplementada, ou por meio de uma dieta com alimentos ricos nesse mineral, pode ser um adjuvante eficiente na terapia farmacológica anti-hipertensiva dos pacientes com hipertensão arterial. II. O café, além de ser rico em cafeína, possui compostos bioativos como polifenóis, o magnésio e o potássio, que podem favorecer a redução da PA. A cafeína é capaz de elevar agudamente a PA, por mais de três horas, mas o consumo regular leva à tolerância. A ingestão de café a longo prazo não tem sido associada à maior incidência de HAS. Contudo, a Sociedade Brasileira de Hipertensão recomenda que o consumo de café não exceda quantidades baixas a moderadas. III. Os laticínios podem conter constituintes com potencial efeito benéfico, como a proteína do soro do leite (whey protein), o cálcio, o magnésio, os probióticos, dentre outros. Alguns ensaios clínicos randomizados sugerem efeito hipotensor modesto, em especial, os realizados com laticínios pobres em gordura e com proteínas do leite. Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
A alternativa reúne as três afirmativas como verdadeiras. O potássio, quando aumentado pela dieta ou suplementado de forma segura, ajuda no controle da pressão arterial por favorecer a natriurese e a vasodilatação; o café pode elevar a PA de forma aguda pela cafeína, mas o uso regular leva à tolerância e não há associação consistente com maior incidência de HAS no longo prazo; e os laticínios, sobretudo os pobres em gordura e com proteínas do leite, apresentam efeito hipotensor discreto em estudos clínicos. Assim, o conjunto das três afirmações está compatível com a dietoterapia da hipertensão.
- B)I e II, apenas.
Esta opção afirma que apenas I e II estariam corretas, isto é, reconhece o papel do potássio e o comportamento do café na pressão arterial. O problema é que a afirmativa III também tem respaldo científico: laticínios com baixo teor de gordura, cálcio, magnésio, whey protein e probióticos podem reduzir a PA de modo modesto. Ao excluir essa terceira proposição, a alternativa fica incompleta.
- C)I e III, apenas.
Aqui se sustenta que potássio e laticínios têm efeito benéfico, mas se deixa de fora o café. Isso não se mantém, porque a afirmativa II descreve adequadamente a elevação aguda da PA pela cafeína, o desenvolvimento de tolerância com o consumo habitual, a ausência de aumento consistente do risco de HAS e a recomendação de consumo baixo a moderado pela Sociedade Brasileira de Hipertensão. Portanto, não são apenas I e III.
- D)II e III, apenas.
Esta alternativa considera verdadeiras as afirmativas sobre café e laticínios, mas exclui a do potássio. Ocorre que elevar o aporte de potássio pela alimentação ou por suplementação, quando indicado, é uma medida dietética reconhecida como adjuvante no controle pressórico, pois favorece a excreção de sódio e a redução da PA em muitos pacientes. Por isso, a opção falha ao deixar de incluir a afirmativa I.
Gabarito: A
Na hipertensão arterial sistêmica, a alimentação não entra como coadjuvante decorativo: ela faz parte do tratamento de verdade. A ideia é reduzir fatores que elevam a pressão e aproveitar componentes da dieta que ajudam no controle pressórico, sempre junto com o tratamento medicamentoso quando indicado. Entre esses pontos, o potássio ganha destaque porque favorece o equilíbrio eletrolítico e pode ajudar na redução da PA, desde que não haja contraindicação clínica, como risco de hipercalemia. O café também aparece muito em prova porque mistura realidade fisiológica com interpretação de estudo. A cafeína pode elevar a pressão de forma aguda por um tempo curto, mas o uso habitual costuma gerar tolerância, e isso explica por que o consumo crônico não se associa, de modo consistente, a maior incidência de HAS. Mesmo assim, recomenda-se moderação, porque excesso não é aliado de ninguém com pressão alta. Os laticínios, por sua vez, podem contribuir com cálcio, magnésio, proteínas do leite e outros componentes bioativos, como o whey protein e até probióticos em alguns produtos. A literatura aponta efeito hipotensor pequeno, mas real em parte dos estudos, especialmente com laticínios com baixo teor de gordura e proteínas lácteas. Em dietoterapia, o detalhe importa: não é o leite como milagre, e sim como peça de um padrão alimentar favorável. Por isso, as três afirmativas estão corretas e o gabarito é a letra A. A questão cobra exatamente essa visão prática da dietoterapia na HAS: potássio, consumo moderado de café e atenção ao potencial benefício dos laticínios dentro de uma alimentação adequada.