O papel da nutrição no desenvolvimento da obesidade está relacionado ao fato de que as proteínas, os lipídios e os carboidratos encontrados na alimentação são metabolicamente interconvertíveis, com exceção dos aminoácidos e ácidos graxos essenciais. Considerando que não existe nenhuma relação para o balanço calórico entre os carboidratos e as proteínas, existe uma correlação estreita dos primeiros com o balanço lipídico. É estabelecido que os lipídios, e não os carboidratos e as proteínas, são utilizados ou estocados em função dos requerimentos calóricos. Considerando o consumo energético e a composição corporal, em relação aos lipídios (gorduras), analise as afirmativas a seguir. I. O perigo desses alimentos é ressaltado pelo fato de que o mesmo volume de um alimento rico em gorduras, com sua alta densidade calórica, proporcionará menor saciedade que igual volume de alimento rico em fibras. II. A dieta hiperlipídica também favorece o aumento no consumo alimentar, tendo em vista que os alimentos ricos em gordura proporcionam maior prazer na saciedade e sua textura necessita menor esforço para mastigação que os alimentos ricos em fibras. III. A relação entre a fração da contribuição calórica fornecida pelas gorduras e o peso corporal tem sido observada em idade precoce. A correlação positiva entre índice de massa corporal e o consumo de lipídios é ainda mais forte quando se trata do consumo de gorduras saturadas. Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
Esta alternativa reúne as três afirmativas, que descrevem a mesma lógica fisiológica: alimentos ricos em gordura têm alta densidade energética, costumam promover menor saciedade por volume e favorecem maior ingestão total. Além disso, a maior palatabilidade e o menor esforço mastigatório dos alimentos gordurosos aumentam o consumo, e há evidências de associação entre maior participação de lipídios na dieta, especialmente gorduras saturadas, e maior IMC desde fases precoces da vida. Como as três proposições estão alinhadas com esses fundamentos, esta é a opção correta.
- B)I e II, apenas.
Aqui se afirma que apenas as proposições I e II estariam corretas, deixando a III de fora. O problema é que a terceira também está amparada por evidências dietéticas e epidemiológicas, pois maior consumo de gordura, em especial saturada, se associa a maior peso corporal e IMC, inclusive em idades precoces. Assim, a alternativa reduz indevidamente o conjunto de afirmativas verdadeiras.
- C)I e III, apenas.
Esta opção sustenta que I e III estão corretas, mas exclui a II. Isso não se sustenta porque a segunda afirmativa expressa um ponto clássico da dietoterapia da obesidade: alimentos ricos em gordura tendem a ser mais palatáveis e exigem menos mastigação do que os ricos em fibras, o que favorece maior ingestão. Portanto, a alternativa falha ao desconsiderar uma proposição verdadeira.
- D)II e III, apenas.
Nesta alternativa, considera-se corretas apenas II e III, excluindo a I. O erro está em desautorizar a primeira afirmativa, que traduz corretamente o efeito da alta densidade calórica das gorduras: para o mesmo volume, um alimento gorduroso entrega mais energia e, em geral, promove menos saciedade do que um alimento rico em fibras. Como a I também é verdadeira, esta opção não se sustenta.
Gabarito: A
Nesta questão, a banca explora um ponto clássico da dietoterapia: gordura dietética tem alta densidade energética, ou seja, em pouco volume entrega muitas calorias. Isso ajuda a entender por que alimentos ricos em lipídios podem “enganar” a saciedade: cabe menos comida no estômago, mas entra muita energia. Em outras palavras, o prato parece pequeno, mas o estrago calórico é grande. A afirmativa I está correta porque compara volume e saciedade. Um alimento gorduroso, com menor volume e mais calorias, tende a gerar menos saciedade do que um alimento rico em fibras, que ocupa mais espaço, aumenta o enchimento gástrico e costuma retardar a fome. A afirmativa II também está correta. Dietas com maior teor de gordura podem favorecer maior ingestão total porque alimentos gordurosos costumam ser mais palatáveis, mais agradáveis ao paladar e exigem menos mastigação do que alimentos fibrosos. Isso facilita comer mais sem perceber, o que contribui para excesso calórico. A afirmativa III igualmente está correta: há associação entre maior consumo de lipídios e maior IMC desde idades precoces, e essa correlação pode ser ainda mais evidente com gorduras saturadas. Assim, como as três afirmações estão adequadas ao efeito dos lipídios no balanço energético e no ganho de peso, o gabarito é A. Não há aqui uma lei específica, mas sim conteúdo clássico de fisiologia da nutrição e dietoterapia.