Considerando as recomendações nutricionais para paciente em estresse metabólico, assinale a opção correta.
- A)Nos quadros de trauma e de sepse, a recomendação energética é de 35 kcal/kg, com 1 g/kg de ptn.
Errada: 35 kcal/kg e 1 g/kg de proteína não é a recomendação padrão para trauma e sepse, pois a oferta inicial tende a ser mais cautelosa e individualizada.
- B)Nos quadros de trauma e de sepse, é recomendado o uso de arginina e glutamina com o objetivo de melhorar a cicatrização e estimular as células de defesa.
Errada: arginina e glutamina não são recomendadas de forma indiscriminada em trauma e sepse, porque a suplementação imunomoduladora depende do contexto clínico e pode até ser evitada em alguns críticos.
- C)Recomenda-se uma proporção de kcal não proteica: g N de 80-100:1 e uma oferta energética inicial mais baixa, cerca de 15 kcal a 20 kcal/kg, com progressão para 25 kcal a 30 kcal/kg, entre o quarto e o sétimo dia em pacientes que já se encontrem na fase pós-aguda/recuperação.
Certa: a alternativa traz a estratégia de oferta energética inicial mais baixa, progressão na recuperação e proporção kcal não proteica:grama de N compatível com o manejo do estresse metabólico.
- D)Recomenda-se a utilização de fórmulas com alto teor de lipídio e baixo teor de carboidrato para manipular coeficiente respiratório e reduzir produção de gás carbônico (CO2) em pacientes críticos com disfunção pulmonar.
Errada: fórmulas hiperlipídicas e pobres em carboidrato para reduzir CO2 têm uso restrito e não são recomendação geral para todo paciente crítico com disfunção pulmonar.
- E)Recomenda-se atenção especial ao fósforo, pois esse mineral pode estar reduzido devido a hipoalbuminemia.
Errada: o fósforo pode cair na síndrome de realimentação e em outras condições, mas não por hipoalbuminemia, que se relaciona mais com albumina do que com fósforo sérico.
Gabarito: C
Em pacientes com estresse metabólico, como trauma, sepse e outras condições críticas, a nutrição precisa ser pensada com cuidado: nem exagerar na energia logo de cara, nem esquecer que a perda de massa magra é um problema importante. Nessa fase, o organismo entra em um estado hipercatabólico, com maior quebra de proteínas e pior aproveitamento metabólico, então a estratégia costuma começar com oferta energética mais baixa e ir subindo conforme a tolerância e a evolução clínica. A lógica da dieta nesses casos é evitar superalimentação no início, porque isso pode aumentar produção de CO2, hiperglicemia e outras complicações. Por isso, em pacientes na fase aguda, a recomendação inicial costuma ficar em torno de 15 a 20 kcal/kg, com progressão para cerca de 25 a 30 kcal/kg na fase pós-aguda ou de recuperação, geralmente entre o 4o e o 7o dia, se o paciente estiver evoluindo bem. Além disso, a relação entre calorias não proteicas e nitrogênio é importante para ajustar a oferta de proteínas de forma adequada ao catabolismo. A proporção de 80-100 kcal não proteicas por grama de N é compatível com a necessidade de preservar massa muscular sem sobrecarregar o metabolismo. Esse é o tipo de detalhe que a CESPE adora cobrar: não basta saber que o paciente é grave, tem que saber a progressão e o equilíbrio entre energia e proteína. Assim, o gabarito C está correto porque descreve exatamente essa conduta escalonada e coerente com o estresse metabólico: oferta inicial mais contida, avanço gradual e atenção à proporção kcal não proteica:N. As demais alternativas misturam valores inadequados, indicações controversas ou raciocínios fisiopatológicos simplificados demais.