Com relação a epidemiologia clínica e bioestatística, assinale a opção correta.
- A)A epidemiologia é definida como o estudo da frequência, da distribuição e dos determinantes dos estados ou eventos relacionados à saúde em específicas populações, e a aplicação desses estudos no controle dos problemas de saúde.
Correta: traz a definição clássica de epidemiologia, incluindo frequência, distribuição, determinantes e aplicação no controle dos problemas de saúde.
- B)A relação entre a deficiência de nutrientes na dieta e o surgimento de doenças carenciais não se enquadra no escopo de estudos nutricionais epidemiológicos.
Errada: a relação entre deficiência de nutrientes e doenças carenciais é tema central da epidemiologia nutricional.
- C)O estudo que pode ser considerado pioneiro e inaugurou a epidemiologia nutricional foi a investigação entre o escorbuto e o consumo de alimentos que são fontes de vitamina D.
Errada: o escorbuto se relaciona à deficiência de vitamina C, e a história pioneira clássica envolve isso, não vitamina D.
- D)Dados provenientes de estudos epidemiológicos mostram a correlação entre o consumo de alimentos in natura e a obesidade infantil.
Errada: alimentos in natura não são apontados, em regra, como causa de obesidade infantil; a associação costuma envolver ultraprocessados e padrões alimentares inadequados.
- E)As transições epidemiológicas e nutricionais contribuíram para que o escopo da epidemiologia fosse ampliado, passando a incluir também o efeito da dieta sobre a ocorrência de doenças transmitidas por viroses.
Errada: transições epidemiológica e nutricional ampliaram o campo para doenças crônicas e padrões alimentares, não para viroses transmitidas.
Gabarito: A
Epidemiologia, de forma clássica, estuda a frequência, a distribuição e os determinantes dos eventos relacionados à saúde em populações, e usa essas informações para prevenir e controlar problemas de saúde. Em outras palavras: ela olha para o que acontece, com quem acontece, onde acontece e por que acontece. Aí entra a bioestatística, que ajuda a medir e comparar esses fenômenos sem cair no achismo. Na epidemiologia nutricional, o foco é entender como a alimentação se relaciona com saúde e doença, incluindo deficiências nutricionais, excesso de peso, carências específicas e padrões alimentares. Então faz todo sentido estudar a ligação entre dieta e doenças carenciais, entre consumo alimentar e obesidade, e entre mudanças no perfil alimentar da população e o adoecimento. A alternativa A está correta porque reproduz a definição clássica de epidemiologia usada em saúde pública: frequência, distribuição, determinantes e aplicação prática no controle dos problemas de saúde. É aquela definição que aparece em praticamente todo manual da área, sem firula. As demais alternativas tentam confundir com exemplos trocados ou com afirmações que restringem demais o campo da epidemiologia nutricional. Na prova, quando a banca pede a definição, normalmente ela cobra o texto-base da epidemiologia, não invenções sobre um alimento ou uma doença específica.