Em consulta com uma nutricionista em ambulatório de atenção básica, paciente do sexo masculino, sedentário, com vinte e três anos de idade, estatura de 1,75 cm e peso atual de 105 kg, apresenta, em exames laboratoriais, glicemia de jejum de 115 e hemoglobina glicada de 5,9. No referido ambulatório, a nutricionista conta com fita métrica e balança. Acerca desse quadro clínico hipotético, assinale a opção correta.
- A)Se o IMC do indivíduo em questão for calculado, o resultado corresponderá ao quadro de obesidade de classe III.
Errada: o IMC do paciente é cerca de 34,3 kg/m2, o que indica obesidade grau I, e não obesidade classe III.
- B)A hemoglobina glicada mede a quantidade de açúcar no sangue nos últimos seis meses. No quadro clínico em apreço, por apresentar hemoglobina glicada de 5,9, o indivíduo encontra-se diabético.
Errada: a hemoglobina glicada reflete aproximadamente os últimos 2 a 3 meses e 5,9% não define diabetes.
- C)Procedimento não invasivo e de baixo custo, a determinação do IMC do paciente em questão pode ser realizada mediante o uso dos instrumentos enumerados no quadro clínico em apreço.
Certa: peso e altura permitem calcular o IMC, que é uma medida antropométrica simples, não invasiva e de baixo custo.
- D)No quadro clínico considerado, conforme os dados apresentados, é correto concluir que o paciente consome uma dieta há longo tempo com menos que 2.200 calorias/dia em média (cálculo feito utilizando-se a equação de Harris-Benedict).
Errada: não é possível concluir ingestão crônica abaixo de 2.200 kcal/dia apenas com esses dados, e a equação de Harris-Benedict não serve para fazer essa afirmação isoladamente.
- E)No quadro clínico em apreço, com os equipamentos disponíveis, a nutricionista não tem como determinar a circunferência abdominal do paciente para avaliar risco de doenças cardíacas.
Errada: com a fita métrica, a nutricionista consegue medir a circunferência abdominal para avaliar risco cardiometabólico.
Gabarito: C
Nesta questão, o ponto central é saber o que dá para avaliar com os instrumentos que a nutricionista tem em mãos. Com uma balança e uma fita métrica, ela consegue medir peso, altura e circunferências, incluindo a circunferência abdominal. Isso já permite calcular o IMC e também estimar risco cardiometabólico por meio da medida da cintura. Em ambulatório de atenção básica, esse tipo de avaliação antropométrica é simples, rápida e muito útil. Fazendo a conta do IMC, temos 105 kg dividido por 1,75 x 1,75, o que resulta em cerca de 34,3 kg/m2. Isso corresponde a obesidade grau I, e não obesidade mórbida. A questão testa justamente se voce sabe diferenciar os parâmetros clínicos e os instrumentos necessários para obtê-los. Também vale lembrar que a hemoglobina glicada não mostra a glicemia dos últimos seis meses, mas sim uma média aproximada dos últimos 2 a 3 meses. E o valor de 5,9% não fecha diagnóstico de diabetes, ficando mais compatível com faixa de risco aumentado/prediabetes, dependendo do critério adotado. Já a glicemia de jejum de 115 mg/dL também aponta alteração da glicemia de jejum, não diabetes fechado. Por isso, a alternativa correta é a C: o IMC é um procedimento não invasivo, de baixo custo, e pode ser calculado com peso e altura, instrumentos que a nutricionista tem no consultório. Em dietoterapia e avaliação nutricional, esse é um clássico de prova: a banca mistura conceito, cálculo e interpretação para ver se voce não cai no susto.