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Nutrição · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Nutrição

Uma mulher com quarenta e um anos de idade, casada, grávida, com idade gestacional de 30 semanas e peso de 98,3 kg, pesava 92,16 kg com 20 semanas de gestação. Ela mede 1,60 m de altura e, no último mês, seu peso aumentou 3 kg. Ao exame clínico, apresentou pressão arterial de 130 mmHg × 80 mmHg. Está na segunda gestação. Na primeira gestação, o bebê nasceu prematuro e a paciente apresentou os mesmos sintomas e sinais clínicos da gestação atual. Ela não apresenta edema visível. Diagnóstico clínico: pré-eclampsia, insuficiência renal e diabetes gestacional. Resultados de exames bioquímicos: glicemia de jejum: 140 mg/dL; albumina: 2,7 g/dL (VR: 3,5-5 g/dL); HT: 19,6% (VR: 35-45); Hb: 7,4 (VR: 12-16); TGO: 161 (VR: 8-33 U\L); TGP: 231 (VR: 4-36 U/L); PCR: 11,5 mg/dL (VR: < 0,5); creatinina: 1,4 mg/dL (VR: 0,6 – 1,2); ureia: 54 mg/dL (VR: 10-40 mg/dL); plaquetas: 122.000 (VR: 150.000-400.000); proteinúria: 3,5 g/24 h. Com base nas informações do caso clínico hipotético precedente, assinale a opção correta.

Gabarito: A

A pré-eclampsia é uma síndrome hipertensiva da gestação que costuma aparecer após 20 semanas e vem com pressão alta, proteinúria e sinais de lesão de órgãos-alvo. Quando o quadro piora, pode evoluir para formas graves, com comprometimento hepático, hematológico e renal. É por isso que, no caso, os exames chamam atenção: plaquetas baixas, TGO e TGP bem elevadas, creatinina e ureia aumentadas, proteinúria importante e pressão arterial compatíveis com doença hipertensiva grave da gestação. O nome que resume essa gravidade é HELLP, que significa Hemólise, Elevated Liver enzymes e Low Platelets. Em outras palavras: o fígado sofre, as plaquetas caem e há destruição das hemácias. A insuficiência renal pode acompanhar o quadro, porque a pré-eclampsia reduz a perfusão renal e pode causar lesão endotelial e glomerular. Então não é só "pressão um pouco alta": há um cenário sistêmico, com risco real para mãe e bebê. Outro detalhe importante é que a paciente já teve episódio semelhante na gestação anterior, com parto prematuro, o que reforça risco obstétrico aumentado. E a ausência de edema visível não exclui pré-eclampsia, porque edema não é critério obrigatório para o diagnóstico. Em prova, lembre que o diagnóstico é clínico e laboratorial, não só olhar o inchaço da paciente. Portanto, o gabarito A está correto porque o caso descreve evolução para síndrome HELLP, com acometimento hepático, plaquetopenia e indícios de insuficiência renal associada. O quadro não é de eclampsia, pois não há convulsões, e os achados laboratoriais são bem mais compatíveis com HELLP grave do que com uma pré-eclampsia simples.

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