A vigilância epidemiológica, ao analisar um surto em uma escola, obteve os seguintes dados: a média de tempo do surgimento dos primeiros sintomas foi de 2,5 horas; após a ingestão do alimento, as pessoas apresentaram náusea, vômito e cólica abdominal; o alimento consumido (carne ensopada) havia sido preparado 24 horas antes do consumo e deixado sobre fogão. Na análise laboratorial, foi detectado que o agente etiológico era o Staphylococcus aureus. Acerca dessa situação hipotética, assinale a opção correta.
- A)A intoxicação poderia ter sido evitada se a refeição, antes de ser servida, fosse aquecida a temperatura acima de 75 °C por, no mínimo, 15 minutos.
Errada, porque aquecer depois não é a forma segura de prevenir essa intoxicação, já que a toxina de S. aureus pode resistir ao calor e a conduta correta é evitar a formação da toxina com armazenamento adequado.
- B)Os sintomas mencionados geralmente permanecem por dias e até meses.
Errada, porque a intoxicação estafilocócica costuma ser aguda e autolimitada, com sintomas por horas ou poucos dias, não por meses.
- C)O período de incubação é compatível com a existência de toxina pré-formada no alimento, o que caracteriza a intoxicação alimentar.
Certa, porque a incubação curta com náusea, vômito e cólica é típica de ingestão de toxina pré-formada em alimento contaminado por S. aureus.
- D)Os animais domésticos são o principal reservatório do microrganismo detectado na análise laboratorial.
Errada, porque o principal reservatório de S. aureus é o ser humano, especialmente pele, narinas e mãos de manipuladores de alimentos.
- E)A intoxicação poderia ter sido evitada se o alimento tivesse sido mantido à temperatura de 45 °C.
Errada, porque 45 °C favorece a multiplicação do microrganismo e a produção de toxina, em vez de preveni-la.
Gabarito: C
Essa questão mistura dois pontos clássicos de intoxicação alimentar por Staphylococcus aureus: alimento mal conservado e início rápido dos sintomas. Quando a pessoa ingere a toxina já pronta no alimento, o quadro costuma aparecer em poucas horas, com náusea, vômito e cólica abdominal. Aqui, a média de 2,5 horas depois da refeição é praticamente a assinatura desse tipo de intoxicação. O detalhe de a carne ensopada ter ficado 24 horas sobre o fogão ajuda a entender o problema: alimento em temperatura inadequada favorece a multiplicação da bactéria e a produção da toxina estafilocócica, que é termoestável. Ou seja, não basta olhar só para a bactéria, porque o grande vilão é a toxina que ela deixou no alimento. Por isso, o gabarito é a letra C. O período de incubação curto é compatível com toxina pré-formada no alimento, o que caracteriza intoxicação alimentar e não uma infecção intestinal clássica. Na infecção, o microrganismo precisa se multiplicar no hospedeiro, então o tempo para sintomas costuma ser maior. Aqui, o raciocínio é: alimento ficou tempo demais fora de refrigeração, S. aureus cresceu, produziu toxina, e a pessoa comeu o problema já pronto. Isso é bem o tipo de cenário que a banca gosta de cobrar, porque parece detalhe de conservação, mas é o coração da questão.