Leia o trecho a seguir. Ao contrário do que aconteceu em outros países, a política de patrimônio que começou no Brasil foi formulada por intelectuais modernos, que não estavam ligados a uma ideia romântica de passado, mas que partiam do princípio de que havia uma possibilidade de conciliação entre a preservação e a construção do futuro. ALMEIDA, Luiz Fernando de. Patrimônio e sustentabilidade: a trajetória do Iphan. In: TORELLI, L. P. (org.). Patrimônio cultural e desenvolvimento sustentável. Brasília: Iphan, 2012. O trecho acima indica uma noção de sustentabilidade presente no ideário que deu início às políticas de preservação no Brasil. O texto pensa a sustentabilidade na relação entre
- A)desenvolvimento social e tradição.
Correta: expressa exatamente a conciliação entre preservação da tradição e desenvolvimento social mencionada no trecho.
- B)práticas locais e influências globais.
Errada: o texto não trata de articulação entre local e global, mas da relação entre preservação cultural e construção do futuro.
- C)superação do passado e civilização moderna.
Errada: a passagem não opõe passado e modernidade; ela propõe justamente uma conciliação entre preservação e futuro.
- D)cultura nacional e tradições indígenas.
Errada: não há foco em identidade nacional ou tradições indígenas específicas, e sim em uma política patrimonial mais ampla.
- E)avanço social e ambientes naturais.
Errada: essa leitura remete à sustentabilidade ambiental, mas o trecho fala de patrimônio cultural e desenvolvimento social.
Gabarito: A
A ideia central do trecho é que a proteção do patrimônio, no Brasil, nasce menos como nostalgia de um passado idealizado e mais como um projeto moderno de país. Ou seja, preservar não era “congelar” a história, mas usar a tradição como base para construir o futuro. Isso aparece com força no pensamento modernista e na atuação inicial do IPHAN, que valorizavam a cultura brasileira como recurso de formação nacional. Nesse contexto, sustentabilidade não tem o sentido mais comum de meio ambiente. Aqui, ela se liga à capacidade de manter viva a herança cultural sem impedir o avanço da sociedade. Em outras palavras, é conciliar desenvolvimento social com tradição, sem tratar essas duas coisas como inimigas. Dá para preservar e, ao mesmo tempo, modernizar a vida coletiva. Por isso o gabarito é a letra A. O trecho fala justamente dessa conciliação entre preservação e construção do futuro, isto é, entre a continuidade da tradição e o desenvolvimento social. Essa visão é muito associada ao ideário modernista que influenciou a política patrimonial brasileira, especialmente nas origens do IPHAN. Se a questão fosse de prova oral, a resposta curta seria: sustentabilidade, aqui, é manter a memória cultural como parte do projeto de desenvolvimento do país. Nada de passado como peça de museu empoeirada. O passado entra como fundamento vivo do futuro.