Leia o fragmento a seguir. Pensar em patrimônio agora é pensar com transcendência, além das paredes, além dos quintais, além das fronteiras. É incluir as gentes. Os costumes, os sabores, os saberes. Não mais somente as edificações históricas, os sítios de pedra e cal. Iphan. Programa Nacional do Patrimônio Imaterial. 3ª ed. 2008. (Folder Institucional). Assinale a opção que apresenta o significado de “pensar com transcendência.”
- A)Valorizar o aspecto sagrado e monumental das edificações históricas, como igrejas e outros templos.
Errada, porque reduz o patrimônio à monumentalidade religiosa e às edificações históricas, justamente o oposto da ampliação proposta no texto.
- B)Reconhecer que o patrimônio cultural inclui construções de materiais mais simples ou menos duráveis.
Errada, porque fala apenas de construções materiais mais simples ou menos duráveis, ainda ficando no campo físico e não alcançando o sentido mais amplo do patrimônio.
- C)Enfatizar a importância de preservar objetos de uso litúrgico, como forma de proteger a espiritualidade.
Errada, porque restringe o patrimônio a objetos litúrgicos e a uma dimensão espiritual específica, sem captar a ideia de patrimônio cultural em sentido abrangente.
- D)Compreender que os bens constituintes do patrimônio cultural vão além das estruturas físicas.
Certa, porque expressa exatamente a noção de que o patrimônio cultural não se limita às estruturas físicas e inclui também dimensões imateriais.
- E)Tomar os valores simbólicos como superiores aos edifícios, aos objetos e às localidades determinadas.
Errada, porque cria uma hierarquia entre valores simbólicos e bens materiais, enquanto o texto fala em ampliação do patrimônio, não em substituição ou superioridade de um sobre o outro.
Gabarito: D
A ideia central do fragmento é a ampliação do conceito de patrimônio cultural. Em vez de olhar só para prédios antigos, museus e monumentos de pedra e cal, o texto chama você a enxergar também os modos de viver, os saberes, os fazeres, os sabores e as práticas que formam a identidade de um grupo. Ou seja: patrimônio não é só parede bonita, é também memória viva. Quando o Iphan fala em “pensar com transcendência”, ele quer dizer ultrapassar o limite do que é físico e material. É pensar além das coisas que dá para tocar, porque a cultura também existe nas festas, nas receitas, nas línguas, nas técnicas, nas tradições e nas relações sociais. Essa visão está alinhada com o entendimento do patrimônio imaterial, reconhecido no Brasil a partir do Decreto nº 3.551/2000, que instituiu o registro de bens culturais de natureza imaterial. Por isso, a alternativa correta é a letra D. Ela traduz exatamente essa ampliação de perspectiva: os bens que formam o patrimônio cultural vão além das estruturas físicas. A banca FGV gosta muito desse movimento de “sair do concreto” para incluir o imaterial, sem abandonar o valor do patrimônio material, claro - ele só deixa de ser o único protagonista. Em resumo: se o enunciado fala em transcendência, pense em superação da visão restrita ao edifício, ao objeto e ao sítio histórico. O patrimônio cultural passa a incluir também aquilo que a comunidade vive, transmite e reinventa.