O Laboratório de Análise Urbana e Representação Digital (LAURD) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ desenvolveu um projeto de jogo que permite explorar uma representação virtual da Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Nele, o jogador alterna três perfis de navegação (Turista, Acadêmico e Morador), e em cada um deles tem acesso a perspectivas e informações diversas ao concluir tarefas determinadas. Esse recurso do jogo é eficaz em promover a
- A)consolidação de um discurso sobre a Praça Tiradentes, alinhado a uma narrativa homogênea de preservação.
Errada, porque o jogo não consolida uma narrativa homogênea, mas sim múltiplas formas de interpretar o mesmo espaço.
- B)valorização de diferentes perspectivas, favorecendo uma compreensão plural de um mesmo território.
Certa, porque alternar perfis de navegação amplia os pontos de vista e promove uma leitura plural da Praça Tiradentes.
- C)padronização dos dados históricos apresentados, garantindo um entendimento coeso entre os usuários.
Errada, porque a proposta não padroniza a informação; ela diversifica as perspectivas conforme o perfil escolhido.
- D)criação de narrativas lineares que priorizam o conhecimento formal sobre a mera informação.
Errada, porque o foco não é criar uma narrativa linear, e sim permitir experiências e leituras variadas do território.
- E)produção interativa de um entendimento neutro e academicamente embasado do patrimônio cultural.
Errada, porque não existe neutralidade absoluta na leitura do patrimônio, e o recurso justamente explicita diferentes posições e olhares.
Gabarito: B
A questão trabalha uma ideia bem cara à Museologia contemporânea: o patrimônio não deve ser apresentado como uma verdade única, fechada e “arrumadinha”. Quando um recurso permite alternar perfis de navegação, ele abre espaço para diferentes formas de ver e interpretar o mesmo lugar. Isso combina com a noção de mediação plural, participação e multiperspectividade na leitura do patrimônio cultural. No caso citado, o jogador entra na Praça Tiradentes por três olhares diferentes: turista, acadêmico e morador. Cada perfil destaca experiências, memórias e informações distintas. Em vez de uma narrativa engessada, o projeto estimula o usuário a perceber que um mesmo território pode ter sentidos variados, dependendo de quem observa e do contexto da observação. É exatamente isso que torna a alternativa B correta: o recurso valoriza diferentes perspectivas e favorece uma compreensão plural do espaço urbano. Em termos museológicos, isso conversa com a ideia de museu como espaço de debate, interpretação e construção de sentidos, e não apenas de transmissão unilateral de dados. As demais alternativas tentam empurrar a questão para a ideia de homogeneização, neutralidade ou linearidade, mas o enunciado aponta na direção oposta. O jogo não “fecha” a leitura da Praça Tiradentes, ele a abre. E, em patrimônio cultural, abrir leitura costuma ser bem mais interessante do que tentar transformar tudo em uma versão única e definitiva.