O trecho a seguir apresenta uma caracterização dos pressupostos da ideia de documentação produzida no século XIX. Entende-se que a constituição documental sobre a paisagem foi um movimento político movido pelo interesse de dominá-la (relação objetiva) e pelo sentimento de fascínio exercido pela ideia do belo e do sublime (relação subjetiva). Nesse sentido, o documento é o ponto de interconexão entre o objetivo e o subjetivo, cujas informações inserem na representação do espaço natural as mesmas características presentes na noção de patrimônio (histórico ou cultural). KARPINSKI, C. Patrimônio natural, documentação e pesquisa. Transinformação, vol. 30, nº 3, 2018. Com base no texto, assinale a afirmativa correta.
- A)A documentação de paisagens foi uma prática de teor científico e orientada por critérios técnicos.
Errada, porque o texto destaca que a documentação de paisagens não era neutra nem só técnica, mas também carregada de valores políticos e subjetivos.
- B)A dimensão política da documentação de paisagens teve a exploração econômica como sua finalidade.
Errada, porque a finalidade apontada no texto é mais ampla do que exploração econômica, envolvendo dominação simbólica, estética e patrimonial.
- C)A documentação de paisagens uniu a idealização da natureza e o ideário da soberania nacional.
Certa, porque a ideia de documentação da paisagem articula fascínio pela natureza com interesses políticos ligados à soberania e à construção do patrimônio.
- D)A ideia de patrimônio foi pensada como restrita a monumentos e produtos da atividade humana.
Errada, porque o texto amplia a noção de patrimônio para além dos monumentos e da produção humana, incluindo a paisagem natural.
- E)A documentação de paisagens foi usada para promover a separação entre natureza e cultura.
Errada, porque a documentação não separa natureza e cultura; ao contrário, faz a interconexão entre essas dimensões.
Gabarito: C
A questão trata da ideia de documentação da paisagem no século XIX, quando a natureza não era vista apenas como “cenário bonito”, mas como objeto de conhecimento, domínio e também de admiração. Ou seja, havia um lado objetivo, ligado ao controle e à organização do espaço, e um lado subjetivo, ligado ao fascínio pelo belo e pelo sublime. Isso ajuda a entender por que a documentação da paisagem não era neutra: ela carregava interesses culturais e políticos. No texto, a documentação aparece como ponte entre essas duas dimensões. O documento organiza informações sobre o espaço natural e, ao mesmo tempo, transforma esse espaço em algo valorizado, quase como um patrimônio. Em outras palavras, a paisagem passa a ser vista não só como natureza, mas como algo digno de ser observado, representado e preservado. Por isso, o gabarito é a letra C. A alternativa capta exatamente essa união entre a idealização da natureza e um projeto político mais amplo, ligado à construção de identidade e soberania. No século XIX, documentar a paisagem também podia servir para afirmar pertencimento, controle territorial e ideia de nação. As demais alternativas escapam do texto porque reduzem a documentação a técnica científica neutra, a finalidade econômica, ou a uma separação rígida entre natureza e cultura. O ponto central aqui é o contrário: a documentação mistura percepção estética, poder político e construção simbólica do patrimônio.