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Museologia · FGV · 2025

Questão comentada de Museologia

Lia o trecho a seguir. Pode-se afirmar, assim, que um determinado conceito de nação agenciou o surgimento das práticas preservacionistas no país, as quais têm impactos até os dias atuais, sobretudo se considerarmos a narrativa de identidade nacional desenhada pelos bens patrimoniais tutelados pelo Estado. Mas isso não impede dizer que dinâmicas de transformação, com novos pensamentos que permeiam anseios sociais que conclamam a representatividade da diversidade cultural, não tenham ocorrido em paralelo e tomado força ao longo da trajetória de atuação do Iphan nos seus oitenta anos de existência. TOLENTINO, A. B. Educação patrimonial decolonial: perspectivas e entraves nas práticas de patrimonialização federal. Sillogés, vol. 1, nº 1, 2018. Com base na crítica aos pressupostos das políticas preservacionistas brasileiras apresentada no trecho acima, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: A

A questão gira em torno da formação das políticas de preservação no Brasil e da crítica ao seu fundamento histórico. O texto lembra que a ideia de nação orientou, por muito tempo, o que deveria ser preservado, o que acabou produzindo uma narrativa oficial de identidade nacional. Na prática, isso fez com que certos bens e memórias ganhassem destaque enquanto outros ficaram à margem, especialmente os ligados à diversidade cultural e a grupos historicamente pouco representados. No campo da Museologia e do patrimônio, isso é bem importante: preservação não é um ato neutro. Ela envolve escolhas, valores e disputas sobre o que merece ser lembrado como “patrimônio da nação”. Por isso, quando o texto fala em dinâmicas de transformação e em novas demandas sociais por representatividade, ele aponta para a tensão entre um modelo mais centralizador e as pressões por reconhecimento da pluralidade cultural. É exatamente aí que a alternativa A acerta. Ela traduz essa convivência de forças opostas: de um lado, o peso histórico de políticas preservacionistas centradas no Estado e numa identidade nacional mais homogênea; de outro, a cobrança crescente por incluir diferentes grupos, memórias e expressões culturais. Essa leitura dialoga com a crítica contemporânea às políticas patrimoniais brasileiras, muito presente em debates sobre patrimônio imaterial e abordagens decoloniais. As demais alternativas erram porque transformam em regra aquilo que o trecho critica: a abertura plena à diversidade, a origem social ampla das políticas ou uma estabilidade histórica do modelo. O ponto central é justamente o contrário: houve um padrão tradicional forte, mas ele passou a ser tensionado por novas demandas sociais e culturais.

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