O designer Aloísio Magalhães dirigiu o Iphan entre os anos de 1979 e 1982, ocasião na qual agiu em busca de alargar o conceito de bem material, de modo que passasse a incluir
- A)bens culturais associados às artes clássicas.
Errada, porque a proposta de Aloísio era justamente ir além da valorização exclusiva das artes clássicas e da cultura erudita.
- B)criações individuais com relevância artística.
Errada, pois o foco não era destacar apenas criações individuais de valor artístico, mas ampliar a proteção para referências culturais coletivas e sociais.
- C)manifestações populares ligadas ao cotidiano.
Certa, porque a atuação de Aloísio Magalhães no Iphan buscou reconhecer manifestações populares e do cotidiano como parte do patrimônio cultural.
- D)obras de arte e monumentos sagrados.
Errada, já que a lógica não era restringir o patrimônio a obras de arte e monumentos sagrados, mas ampliar esse campo.
- E)bens protegidos por legislações internacionais.
Errada, porque a ideia central não era a tutela por legislação internacional, e sim a ampliação interna do conceito de bem cultural.
Gabarito: C
A questão trata da ampliação do conceito de patrimônio na atuação de Aloísio Magalhães à frente do Iphan, no fim da década de 1970 e início dos anos 1980. Até então, a proteção patrimonial brasileira era muito marcada pela ideia de monumento, obra rara, arte erudita e referência de elite. Com Aloísio, ganha força a visão de que o patrimônio não se resume ao "bonito de museu", mas inclui também expressões vivas da cultura brasileira, especialmente aquelas presentes no cotidiano das comunidades. Esse movimento dialoga com a noção de patrimônio cultural como conjunto de bens materiais e imateriais, algo que depois será consolidado com mais clareza na Constituição de 1988, no art. 216. Mas, mesmo antes disso, Aloísio já defendia uma leitura mais ampla da identidade nacional, valorizando práticas sociais, saberes, fazeres e manifestações populares. Em outras palavras: patrimônio não é só casarão e estátua, também é o que o povo cria, usa e transmite. Por isso, o gabarito é a letra C. Ao buscar alargar o conceito de bem material, Aloísio Magalhães fez com que a proteção alcançasse manifestações populares ligadas ao cotidiano, isto é, bens e referências culturais que expressam a vida real da sociedade brasileira, e não apenas suas peças de elite. Esse entendimento é muito importante em Museologia e Patrimônio, porque rompe com a visão restrita e aproxima a preservação da experiência social concreta.