Leia o texto a seguir. O território em que vivemos é mais que um simples conjunto de objetos, mediante os quais trabalhamos, circulamos, moramos, mas também um dado simbólico. A linguagem regional faz parte desse mundo de símbolos, e ajuda a criar esse amálgama, sem o qual não se pode falar de territorialidade. Esta não provém do simples fato de viver num lugar, mas da comunhão que com ele mantemos. SANTOS, Milton. O Espaço do Cidadão. São Paulo: EDUSP, 2007. Segundo o texto acima, assinale a opção que articula, corretamente, as noções de patrimônio cultural, território e pertencimento.
- A)O senso de pertencimento a um território está baseado na conexão física com estruturas e objetos tangíveis.
Errada, porque pertencimento territorial não se baseia apenas na conexão física com objetos tangíveis, já que também envolve símbolos, memória e práticas sociais.
- B)O território é compreendido como um conjunto de significados subjetivos que independem da Geografia.
Errada, porque o território não independe da Geografia; ele é justamente um conceito geográfico e social, ligado ao espaço vivido e apropriado.
- C)A territorialidade é definida pela interação direta entre os habitantes e os recursos concretos do ambiente.
Errada, porque territorialidade não se reduz à interação direta com recursos concretos, pois o texto enfatiza também o plano simbólico e cultural.
- D)A relação com o território é fundamentada pela proximidade entre as pessoas e os aspectos visíveis do espaço.
Errada, porque a proximidade visual com o espaço não basta para definir a relação territorial; o ponto central é a comunhão simbólica e afetiva com ele.
- E)As práticas habituais e a produção de símbolos compõem a ligação afetiva entre grupos e territórios.
Certa, porque práticas cotidianas e símbolos compartilhados constroem identidade, memória e pertencimento, que são a base da relação cultural com o território.
Gabarito: E
A ideia central do texto de Milton Santos é simples, mas muito cobrada: território não é só chão, muro e mapa. Ele também é feito de símbolos, práticas, memória, linguagem e vínculos sociais. Em outras palavras, o território ganha sentido quando as pessoas se reconhecem nele e criam uma relação de pertencimento com aquele espaço. Isso conversa diretamente com o patrimônio cultural, porque patrimônio não é apenas um objeto antigo guardado em vitrine. Ele inclui bens materiais e imateriais, como modos de fazer, festas, fala regional, hábitos e referências compartilhadas. Ou seja, o patrimônio ajuda a construir identidade e a fortalecer a ligação de um grupo com seu território. Por isso, a alternativa correta é a que destaca práticas habituais e produção de símbolos como elementos da ligação afetiva entre grupos e territórios. Essa leitura está alinhada com a visão contemporânea de patrimônio cultural, adotada inclusive pela Constituição Federal de 1988, no art. 216, que reconhece bens materiais e imateriais portadores de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira. Na prática, é a diferença entre olhar um lugar como cenário e olhar esse mesmo lugar como vivido. Patrimônio, território e pertencimento andam juntos quando o espaço vira memória compartilhada, e não só localização no mapa.