A Unesco realizou grande investimento pós-Segunda Guerra Mundial, na década de 1950, no aprofundamento dos estudos teóricos e práticos sobre museus. Tal investimento se revela na realização de três seminários que terminaram com a publicação de uma declaração que é a reflexão do conjunto dos profissionais e que servem como um norte no trabalho em museus. Um ponto fundamental da declaração do Rio de Janeiro, em 1958, foi:
- A)mudar o foco da museologia, do objeto museológico para a comunidade;
Errada, porque a mudança do foco do objeto para a comunidade é uma ideia posterior, ligada à Nova Museologia, e não ao marco de 1958.
- B)realizar uma crítica à antiga museologia, enfatizando uma nova museologia de caráter social;
Errada, porque a crítica à antiga museologia com ênfase em uma museologia social aparece em debates bem mais tardios, não na Declaração do Rio de Janeiro.
- C)enfatizar o caráter educacional das exposições e dos museus e a importância da formação profissional;
Certa, pois a declaração destacou o caráter educacional das exposições e dos museus, bem como a importância da formação profissional.
- D)enfatizar a função educativa dos museus com relação ao território, patrimônio e comunidade;
Errada, porque a articulação entre museu, território, patrimônio e comunidade é típica de formulações mais recentes da museologia social.
- E)enfatizar o patrimônio cultural como instrumento e agente de transformação social.
Errada, porque o patrimônio cultural como agente de transformação social é uma formulação posterior, associada a abordagens contemporâneas da museologia.
Gabarito: C
A década de 1950 foi um momento de muito debate sobre o papel dos museus, com a Unesco estimulando seminários que ajudaram a consolidar uma visão mais moderna da museologia. Nesse contexto, a Declaração do Rio de Janeiro, de 1958, destacou que museu não é só guarda de peças bonitas: ele precisa comunicar, ensinar e formar público. Em outras palavras, o museu passa a ser pensado também como espaço educativo, e não apenas como depósito de objetos. O ponto central da declaração foi justamente valorizar o caráter educacional das exposições e dos museus, além de chamar atenção para a necessidade de formação profissional adequada. Isso faz sentido porque, para a Unesco, o museu só cumpre bem sua função social se tiver exposição bem planejada, mediação competente e equipe preparada. Sem isso, a coleção existe, mas a comunicação com a sociedade fica capenga. A alternativa C está correta porque traduz exatamente essa orientação: educação museal e qualificação profissional como pilares do trabalho em museus. Já as ideias de museologia social, crítica à antiga museologia e centralidade de comunidade, território e transformação social são desenvolvimentos bem posteriores, mais associados à chamada Nova Museologia, especialmente a partir das décadas de 1970 e 1980. Então, guarde assim: em 1958, o foco ainda é a função educativa e a profissionalização do museu. O discurso social ampliado vem depois, quando a museologia começa a conversar mais intensamente com comunidade, território e participação.