A partir do pós-Segunda Guerra Mundial, sobretudo nos anos 1970, se intensificaram os debates em torno do papel dos museus nas sociedades contemporâneas. Em 1972, a Unesco promoveu a Mesa-Redonda de Santiago do Chile, evento que constituiu um marco nesse processo de renovação da Museologia. Os principais antecedentes desse evento são:
- A)compromisso dos museus com uma concepção de cultura universal e a ideia de identidade nacional;
Errada: fala em cultura universal e identidade nacional, que remetem mais ao museu tradicional e a narrativas centralizadas do que ao movimento renovador de Santiago.
- B)movimentos de negros por direitos civis nos EUA, pelo interesse ao patrimônio natural mundial, em face do processo de colonização da África;
Errada: mistura temas desconexos, como direitos civis nos EUA e patrimônio natural mundial, sem refletir os antecedentes históricos centrais da Nova Museologia.
- C)luta de movimentos sociais de democratização da cultura, pela afirmação dos direitos de minorias e da memória de grupos sociais específicos;
Certa: expressa a democratização da cultura, a luta por direitos de minorias e a valorização da memória de grupos sociais, que são exatamente os antecedentes do debate de 1972.
- D)nacionalização da universidade, controle do Estado sobre a cultura, recusa do imperialismo das grandes potências;
Errada: trata de nacionalização da universidade e controle estatal da cultura, temas políticos gerais que não correspondem ao pano de fundo específico da renovação museológica.
- E)processo de globalização e ideia de hierarquização da cultura que homogeneizou a noção de patrimônio, em escala mundial.
Errada: globalização e homogeneização cultural são processos posteriores e não explicam os antecedentes sociais e políticos da Mesa-Redonda de Santiago.
Gabarito: C
A Mesa-Redonda de Santiago do Chile, em 1972, é um marco da chamada Nova Museologia. Até então, o museu era visto muito como guardião de objetos, quase um cofre elegante. A partir desse debate, passou a ganhar força a ideia de que o museu deve dialogar com a sociedade, atuar no território e responder a problemas sociais concretos. No pós-Segunda Guerra, e especialmente nos anos 1960 e 1970, cresceram os movimentos de contestação social: lutas por direitos civis, afirmação de minorias, questionamento de narrativas oficiais e defesa de memórias antes invisibilizadas. Esse caldo histórico empurrou a Museologia para além do prédio e da coleção, aproximando-a da comunidade e da função social do patrimônio. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela resume bem esse cenário de democratização da cultura, valorização de grupos sociais específicos e ampliação do direito à memória. A ideia central é simples: o museu não existe só para conservar, mas também para representar, incluir e produzir sentido social. Se voce lembrar da expressão "função social do museu", já está no caminho certo. Em provas, a FGV costuma ligar Santiago de 1972 à virada participativa e comunitária da Museologia, em contraste com o modelo tradicional, mais fechado e elitizado.