A coleção é definida por seu valor simbólico, na medida em que o objeto perde sua utilidade e valor para se tornar portador de sentido, de significado. Porém, nenhum atributo de sentido é imanente, sendo em vão buscar no objeto o seu sentido. Sendo assim, a coleção é formada por meio de:
- A)uso racional do vocabulário controlado;
Errada, porque vocabulário controlado é instrumento de documentação e indexação, não a forma de constituição da coleção.
- B)informação intrínseca de cada objeto;
Errada, porque o sentido do objeto não é intrínseco e imanente, mas construído no contexto da coleção e da interpretação.
- C)reunião de objetos relativos a uma sociedade ou grupo humano;
Errada, porque a reunião de objetos ligados a uma sociedade ou grupo humano pode caracterizar um recorte temático, mas não define por si só o conceito de coleção.
- D)reunião de objetos que formem um conjunto (relativamente) coerente e significativo;
Certa, porque a coleção se constitui pela reunião de objetos que formam um conjunto relativamente coerente e significativo.
- E)reunião de objetos diversos acumulados por uma determinada família, pessoa física ou jurídica.
Errada, porque essa descrição se aproxima mais de um acervo privado ou de uma reunião de bens de propriedade de alguém, e não da definição conceitual de coleção.
Gabarito: D
Na Museologia, coleção não é uma simples pilha de coisas guardadas. Ela só ganha sentido quando os objetos deixam de valer apenas pela utilidade prática e passam a funcionar como portadores de significado, de memória e de representação simbólica. Em outras palavras: o objeto isolado não “nasce” com o sentido pronto; é a relação entre os itens, o contexto e a forma como são reunidos que produz esse valor. Isso dialoga com a doutrina museológica sobre a função documental e simbólica dos objetos, muito comum em FGV. Por isso, a ideia central aqui é a de um conjunto pensado, com alguma coerência interna. A coleção se forma pela reunião de objetos que, juntos, constroem uma unidade de sentido, ainda que não sejam idênticos entre si. Pode ser uma coleção de arte, de história, de ciência ou etnográfica: o importante é que exista uma lógica de agrupamento que permita leitura e significação. O gabarito é a letra D porque ela traduz exatamente essa noção: a coleção é uma reunião de objetos que formem um conjunto relativamente coerente e significativo. Essa definição é a mais alinhada à teoria museológica, na qual o valor do objeto não está apenas nele mesmo, mas na rede de relações que ele estabelece dentro do acervo. As demais alternativas escorregam para ideias de vocabulário, informação intrínseca, grupo social ou simples acúmulo familiar. Tudo isso pode aparecer em contextos museológicos, mas não define o conceito de coleção com precisão. Aqui, o ponto é o sentido construído pelo conjunto, e não a utilidade original do objeto.